O produtor de soja e café deve aproveitar o momento oportuno com os efeitos da desvalorização do real e comercializar parte da sua safra, na avaliação do analista de mercado do Banco do Brasil, Márcio Augusto Montelle. Com isso ele poderá garantir um ganho imediato de até 100% dos custos e ainda especular com o restante da produção, acredita o analista.
Nos leilões de Cédula de Produto Rural (CPR), realizados ontem pelo Banco do Brasil, o preço máximo obtido para a saca de café foi de R$ 170, para entrega em setembro e de R$ 14 para a soja, entregue em maio no Rio Grande do Sul, valores considerados bons pelos técnicos do BB. O mercado ficou estável em relação a sexta-feira, data do anúncio da desvalorização, quando houve reflexo imediato no aumento dos preços.
Como ontem foi feriado nos Estados Unidos e o mercado trabalhou sem as cotações de Chicago e Nova York, o analista avalia que é preciso acompanhar o desempenho das principais commodities durante a semana. A CPR é um instrumento de venda a termo, com cotação de preço futuro, mas onde o produtor recebe no ato o valor referente à venda. O lote mínimo para a venda de café é de 100 sacas e de soja de 450 sacas, e o produtor pode vender até 70% da sua safra.
Não há convergência de opinião entre os analistas de mercado. No Paraná e Rio Grande do Sul, poucos estão sugerindo ao agricultor que venda seu produto. A maioria acha que o momento é de cautela e muita observação. Quem quiser vender, deve fazê-lo em parcelas. Muitos consideram imprudência mandar o agricultor vender agora.

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