Curitiba Analistas consideram a posição do governo Roberto Requião (PMDB) de proibir transgênicos no Paraná uma medida antieconômica e temem que ocorra um caos na logística do escoamento da soja da safra 2003/04. Ainda há muitas dúvidas sobre as ações práticas que o Estado está adotando para impedir a entrada de organismos geneticamente modificados (OGM's). O assunto foi um dos temas debatidos no seminário ''Tendências de mercado e projeções para o quadro de abastecimento da soja, milho e carnes para 2004'', realizado ontem em Curitiba.
''Não conseguimos visualizar como vai funcionar, na prática, a legislação estadual'', disse o economista e analista da Safras & Mercado, entidade promotora do evento, Flávio França Júnior. A Lei Estadual 14.162 proíbe a comercialização, produção, industrialização e transporte de OGM's pelo Paraná. O Estado está pleiteando junto ao Ministério da Agricultura o status de área livre de transgênico, para se diferenciar do restante do Brasil, já que o governo federal permitiu o cultivo de soja transgênica para a safra atual.
O governador Roberto Requião (PMDB) alega que os produtores paranaenses vão obter lucro maior com a soja convencional. Para França Júnior, esses argumentos não são válidos. ''Somente com a liberação, o mercado vai criar o diferencial entre a soja transgênica e a convencional'', disse. Segundo ele, a demanda internacional disposta a pagar mais pela soja convencional é muito pequena. ''Pelos levantamentos feitos, não chega a 10% da safra mundial (cerca de 200 milhões de toneladas). Talvez o Paraná não consiga vender toda a soja convencional que produzir'', acrescentou.
O diretor do Departamento de Fiscalização Vegetal da Secretaria da Agricultura, Carlos Alberto Salvador, que participou do evento, disse que o Estado tem competência para legislar sobre o assunto e conseguirá impedir a entrada de OGM's. Pela Resolução 29 de 2002, as sementes de soja só podem entrar no Paraná com o certificado de transgenia. ''Por causa disso, a cadeia já se acostumou. A única coisa que acrescentamos foi o pedido de certificado para a soja em grão'', explicou.
A fiscalização no Paraná já segregou cerca de 64 mil toneladas de soja no Porto de Paranaguá. A carga está sendo transportada para dois navios: Apostolovo, com 20 mil toneladas rumo à Itália; e Petalis, com 39 mil toneladas, com destino a Portugal e Marrocos. De acordo com o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, sobraram 12 mil toneladas de soja contaminada com transgênicos, porque são de difícil comercialização no mercado mundial. A Appa ainda vai resolver o destino do produto que sobrou.

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