O Brasil terá maior possibilidade de expandir sua participação no comércio mundial de soja se adiar o plantio de variedades transgênicas, na avaliação do analista de mercado de soja da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Marco Antonio Carvalho. Ele afirma que há um pesado jogo comercial dos concorrentes para que o País adote os transgênicos e perca as vantagens comparativas que poderá obter no futuro com a produção da soja tradicional.
‘‘Só três países exportam soja no mundo e, entre eles, apenas o Brasil ainda não produz transgênicos, e os concorrentes temem esta exclusividade do País no mercado’’, avalia. O analista observa que não há como distinguir a soja transgênica da tradicional, e se o Brasil autorizar o cultivo comercial, toda a produção nacional ficará em igualdade de condições com os dois outros exportadores, podendo até perder mercado para os Estados Unidos e a Argentina, que já têm mais de 50% da área plantada com variedades geneticamente modificadas.
‘‘Com uma oferta maior de transgênicos no futuro, também haverá uma procura maior para a soja tradicional, e o Brasil poderá ganhar’’, acredita. A produção mundial de soja estimada para este ano é de 158 milhões de toneladas, das quais 75,2 milhões dos Estados Unidos, 31,3 milhões do Brasil e 19 milhões da Argentina. O restante da produção vem da China (14 milhões), Índia (6 milhões), Paraguai (3,2 milhões de toneladas), Bolívia (1 milhão de toneladas), e alguma produção da Europa.
O analista da Conab lembra que, apesar de a soja transgênica não estar proibida na Europa, existem muitos movimentos contrários que permitem prever um cenário favorável à soja tradicional nos países europeus. Ele afirma que não há dados estatísticos confiáveis sobre aumento de produtividade ou redução no custo de produção com o cultivo das novas variedades geneticamente modificadas. ‘‘O plantio da soja transgênica começou há quatro anos e nada ainda está comprovado’’, ressaltou.
Em sua avaliação, o custo da semente transgênica será muito maior que o da tradicional e, se o plantio for mesmo autorizado, o Brasil poderá ter um problema sério, já que o País planta 20% de grãos de soja como semente. ‘‘O custo da semente transgênica é muito alto para que ela possa ser plantada como grão, e isso trará prejuízos ao País.’
Carvalho defende ‘‘mais transparência’’ na discussão mercadológica dos transgênicos, argumentando que o Brasil tem um potencial enorme para ampliar a produção de soja - só no Cerrado são 50 milhões de hectares inexplorados - e conquistar divisas com exportações do produto tradicional.

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