Analista defende alta de 15% da tarifa de energia
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segunda-feira, 03 de setembro de 2001
Agência Estado 
O analista de energia do Sudameris, Marcos Severine, defendeu ontem que Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorize até o final deste mês um reajuste extraordinário de 15% nas tarifas para compensar o setor pelas perdas geradas pelo racionamento. Segundo ele, o reajuste tarifário é a única forma de as geradoras e distribuidoras se reequilibrarem financeiramente e de garantir o pagamento de bônus aos clientes de até 225 kWh que consumirem além da meta.
Para Severine, outra possibilidade seria de um aumento médio entre 25% a 30%, que poderia ser eliminado no ano que vem. ''Não acredito nesta alternativa, pois existe a preocupação inflacionária do governo. Com os 15%, que seriam mantidos ao longo de 2002, a recuperação se daria a médio prazo, mas o impacto seria menor para o consumidor'', disse.
Severine observa que o pagamento de parte do Anexo 5 (cláusula dos contratos de compra e venda de energia que pode motivar uma compensação às distribuidoras pela queda nas vendas) também ajudaria a equilibrar as contas. ''Mas se o anexo 5 for pago integralmente, as distribuidoras vão ter lucro com o racionamento e isto também não me parece justo. O analista explicou que o reajuste para as distribuidoras teria que ser de cerca de 180%, se fossem levados em consideração as perdas na geração, o Anexo V.
Na opinião do Severine, caso não haja um reajuste imediato, o governo terá problemas para honrar os contratos de concessão com as distribuidoras, que por sua vez, tendem a afrouxar mais algumas medidas de racionamento, como a realização de cortes, por ''ausência de recursos''.
''O corte de luz gera um custo adicional para as distribuidoras que já estão com problemas de receita. E o governo não conseguiu ressarcir as empresas pelos custos do racionamento, que inclui a contratação de pessoal'', afirmou. No Estado de São Paulo, apenas a Eletropaulo iniciou, em agosto, a operação de cortes de clientes que descumpriram a meta pelo segundo mês consecutivo e ainda assim, de maneira lenta.
A redução na venda de energia aliada à alta do dólar que encarece a energia de Itaipu e aumenta as dívidas das empresas deve ter impactos fortes nos resultados das distribuidoras de energia elétrica este ano. ''Há empresas que estão conseguindo vender com lucro a energia economizada pelos consumidores além da meta e isto pode atenuar os impactos negativos do racionamento, mas certamente eles vão ocorrer'', disse Severine.
Segundo o analista, apesar de o governo ter se comprometido a arcar com os custos de pagamento de bônus aos consumidores, há outros elementos que aumentaram os gastos das distribuidoras por conta do racionamento. ''As ampliações dos call-centers e das equipes de cortes, por exemplo, trouxeram custos adicionais''.


