O Ministério da Agricultura divulgou nota ontem informando que deram negativas as análises feitas nos cafés estocados em armazéns oficiais do Paraná e do Espírito Santo para detectar a presença de ocratoxina, composto tóxico produzido por fungos. Apesar disso, o governo decidiu estender a análise (por amostragem) a todo o estoque oficial de café, que é de seis milhões de sacas. O resultado final da investigação, conduzida pelo laboratório de Microtoxinas do Ministério da Agricultura, de Belo Horizonte, só deverá estar concluído na próxima semana.
Segundo a nota, as análises que deram negativas foram feitas nos estoques dos armazéns de Cianorte, Rolândia, Mandaguaçu e Londrina, no Paraná, e em Camburi, no Espírito Santo. A análise foi realizada para apurar denúncia de contaminação apresentada na reunião do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC), ocorrida em Florianópolis, no dia 18 des te mês.
O Ministério da Agricultura contesta ainda, na nota, informação divulgada pela imprensa hoje, segundo a qual seriam queimadas 400 mil sacas de café dos estoques do governo na próxima semana, por causa da contaminação pela ocratoxina. ‘‘Trata-se de mera especulação, possivelmente com o objetivo de influir nos mercados internacionais’’, alerta a nota, referindo-se a uma possível manipulação de preços da commodity.
A queima do café só ocorrerá ao final da investigação, nos estoques em que contaminação for comprovada. O Ministério da Agricultura acrescenta também que além da análise para detectar a presença da ocratoxina, mandou realizar a classificação, homogeneização dos pârametros do café estocado, assim como o reensacamento do produto. Esta medida foi tomada para evitar maiores problemas, uma vez que uma parte do estoque foi comprada pelo antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC), na década de 80.

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