Analise ofertas antes de comprar carro
Condições para pagamento à vista nem sempre são atrativas; planos que oferecem juros baixos podem ser enganosos
Agência Estado

Arquivo Folha
Mil opçõesRevendas têm muitos planos de pagamento para compra financiadaQuem estiver planejando comprar um carro deve fazer uma boa avaliação das condições oferecidas pelos revendedores. É curioso que, num momento em que é grande a inadimplência no setor, as revendas não estejam estimulando a compra à vista, oferecendo bons descontos. Dependendo da marca, a redução de preço pode variar de 3% a 10% sobre o preço de tabela do veículo zero quilômetro. No financiamento, o mercado também está usando como base de cálculo um preço promocional, com algum desconto. Além disso, dificilmente o comprador que paga à vista recebe os mesmos benefícios que são oferecidos pelos planos parcelados, como isenção de pagamento de frete, IPVA, seguro obrigatório, pintura especial e licenciamento.
Perceba, ainda, que as campanhas publicitárias também enfatizam apenas as facilidades do financiamento, especialmente por meio do leasing, que é isento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). Por tudo isso, muita gente pode estar se perguntando: a compra financiada de carro é melhor opção do que o pagamento à vista?
A resposta não é simples. Até porque as promoções mudam toda semana, dependendo do tipo e número de veículos com maior disponibilidade em estoque nas fábricas e revendas. Tudo indica que o interesse de bancos e financeiras em vender a prazo esteja ligado ao grande volume de recursos captados no exterior para essas linhas de crédito.
Para quem tem dinheiro para comprar o carro à vista, mas não está animado com o desconto oferecido, pode ser uma saída optar pelo financiamento com entrada de 50% do preço, prazo máximo de 24 meses e juro prefixado mais baixo, entre 0,5% e 0,75%. Dessa forma, o comprador obtém os incentivos oferecidos à compra a prazo e, ainda, poderá aplicar a diferença restante do dinheiro em uma caderneta de poupança, por exemplo, que poderá propiciar rentabilidade mensal acima da taxa cobrada pelo financiamento do carro, sugere o economista e matemático José Dutra Vieira Sobrinho. Há vantagem também na escolha do prazo de 24 meses, em vez de 36 meses, porque, após o pagamento, o comprador poderá renegociar o carro com depreciação menor no preço.
Ainda que o juro cobrado em algumas modalidades de crédito seja considerado baixo, é importante que o consumidor não se deixe enganar pelas ofertas anunciadas. Veja por quê:
Em geral, quando o juro é mais baixo, costuma ser exigido o pagamento de uma entrada maior, entre 40% e 55% do preço, o que diminui o risco da operação para o credor. As taxas aumentam quanto menor for o porcentual dado de entrada. Além disso, nesses casos, o comprador dificilmente vai receber atrativos, como isenção de pagamento de frete, IPVA e seguro obrigatório.

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