Análise não encontra soja transgênica
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quarta-feira, 04 de outubro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
As amostras de sementes de soja enviadas pela Delegacia Federal do Ministério da Agricultura no Paraná, para identificar se os grãos eram transgênicos ou ano, apresentaram resultados negativos. Até agora foram analisadas 45% das amostras coletadas.
O material analisado foi coletado nas regiões de Ponta Grossa, Cascavel, Maringá, Toledo, Campo Mourão, Cianorte, Castro e Jacarezinho. Os exames estão sendo feitos no Centro de Pesquisas e Processamentos de Alimentos (CPPA), da Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar).
O resultado da blitz realizada pelo Ministério da Agricultura não surpreendeu José de Barros França, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja, entidade que representa os sojicultores do Paraná e do País. Segundo ele, é mais um indício que fortalece a entidade para negociar um pagamento adicional nos contratos de exportação de soja, cultivada de forma convencional.
A blitz que está recolhendo amostras de semente de soja nas propriedades e nas casas de revendas de insumos será mantida até o final do plantio, informou Antonio Locatelli, chefe do Serviço de Sanidade Vegetal, da Delegacia do Ministério da Agricultura. Para evitar o plantio ilegal de sementes de soja transgênica, o produtor deve comprar o insumo somente em revendedores confiáveis, registrados no Ministério da Agricultura e Secretaria da Agricultura, recomendou.
As amostras continuam sendo enviadas para o laboratório da UFPR, que está recorrendo à tecnologia norte-americana Trait, que identifica a presença ou ausência de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) na semente. O grão é macerado, colocado em solução específica e depois transportados para fitas que contêm reagentes de transgenia.
França disse que tem informações seguras do mercado de que algumas tradings brasileiras exportadoras de soja já receberam um adicional de 4% a 6% sobre o valor total dos contratos, pagos por importadores da Europa e de alguns países asiáticos. Agora a Abrasoja se prepara para negociar com as tradings, porque quer estender parte desse adicional aos produtores que estão plantando a soja convencional. Para o presidente da Abrasoja, o momento é de repartir os lucros e certamente as tradings vão reconhecer o esforço do produtor porque também têm interesses em manter um mercado, que valoriza a produção convencional, destacou.
França atribuiu à curiosidade do produtor, a tentação de plantar a soja transgênica, prática considerada ilegal no País. Ele se referiu ao episódio ocorrido no início do mês passado, quando fiscais do Ministério da Agricultura apreenderam 100 sacas de semente de soja transgênicas do produtor Décio Tomazinho Filho, de Vera Cruz do Oeste. Para França, essa mercadoria foi contrabandeada da Argentina e ele disse que não se surpreende se ocorrerem outras apreensões esporádicas.
Para o presidente da Abrasoja, que pertence ao corpo de pesquisadores da Embrapa-Soja, em Londrina, as sementes de soja contrabandeadas da Argentina não são produtivas no Paraná e na região Centro-Oeste do País. Trata-se de um material produtivo somente na Argentina e com boa adaptação no Rio Grande do Sul, que tem a mesma latitude. Lá as plantas de soja crescem até um metro com a variedade desenvolvida por eles, sendo que aqui no Paraná ou no Brasil Central não ultrapassam 0,40 centímetros de altura, o que compromete a produtividade da planta, destacou.


