Análise do leite da Confepar deve sair na segunda
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sexta-feira, 24 de maio de 2013
Victor Lopes e Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A próxima semana será decisiva para as investigações do Ministério Público na operação Leite Compen$ado em relação à participação da Agroindustrial Cooperativa Central (Confepar), sediada em Londrina, no processo de adulteração do leite oriundo do Rio Grande do Sul. Na segunda-feira, devem ser divulgados os resultados laboratoriais com as amostras dos leites das marcas Polly e Cativa, produzidos pela cooperativa. As amostras foram coletadas pela Secretaria da Saúde na última segunda-feira na cidade.
Caso seja confirmada a adulteração com algum tipo de substância, o promotor de Saúde de Londrina, Paulo Tavares, deve pedir a retirada preventiva das duas marcas da Confepar dos supermercados onde o produto é comercializado. A Vigilância Sanitária da cidade confirmou que a análise do leite tem monitoramento contínuo no Estado, já que o Programa Leite das Crianças, do governo do Estado, exige os testes com amostragens de diferentes marcas.
Nesta semana, o MP do Rio Grande do Sul começou a segunda fase da Operação Leite compen$ado que investiga esquema criminoso de adulteração de leite por meio da adição de uma mistura de água, ureia e formol. Cinco pessoas foram presas entre empresários, transportadores de leite, funcionários e um vereador, nos municípios de Rondinha, Boa Vista do Buricá e Horizontina. Os 113 mil litros de leite apreendidos estariam vindo para a Confepar, segundo o MP.
Na quinta-feira, conforme material que consta no site do MP do Rio Grande do Sul, um dos transportadores que enviava leite à Confepar, Antenor Pedro Signor, aceitou a proposta de delação premiada. Em depoimento ao MP, deu detalhes de como funcionava a fraude e afirmou que em apenas uma oportunidade a Confepar rejeitou a carga transportada por ele. Em todas as demais, segundo ele, o produto com adição de água e ureia foi aceito pela cooperativa paranaense.
Um dos promotores do MP do RS, Mauro Rockmbach, disse ontem em entrevista a uma rádio gaúcha, que a cooperativa participava diretamente da adulteração do produto no estado vizinho. "A empresa não só comprava o leite, como também fornecia a fórmula e incentivava a fraude. Tenho contranotas da Confepar que me remetem a outubro do ano passado. Leite que saía de um dos postos interditados foi entregue na Confepar". A FOLHA tentou contato com o promotor, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta da assessoria de imprensa do MP.
A reportagem também procurou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que participa da Operação Leite Compen$ado. Por meio da assessoria de imprensa, o órgão informou que também solicitou análise de amostras dos produtos da Confepar no varejo para verificar se há possíveis irregularidades. Em nota, o departamento de comunicação destacou que o Ministério possui permanentemente um fiscal e um agente de inspeção que, até agora, não detectaram nenhuma fraude nos produtos da cooperativa.
A assessoria também disse que os 113 mil litros de leite que foram adulterados e apreendidos no entreposto da cooperativa no Rio Grande do Sul não saíram daquele estado. "O Ministério da Agricultura esclarece que as análises das amostras feitas em lotes na empresa Confepar não mostraram inconformidades até o momento", revela a nota. Mesmo assim, ainda segundo a assessoria, o Ministério intensificou as operações de fiscalização.
Os dois agentes responsáveis pela fiscalização na Confepar têm a função de analisar a higiene da produção e também realizar periodicamente a coleta de amostras de leite, encaminhadas para laboratórios credenciados pelo Mapa.


