A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) aprovou, na última sexta-feira (12), a venda dos 17 terminais aeroportuários no Brasil e três no exterior sob concessão da Motiva à empresa mexicana Aeropuerto de Cancún, subsidiária do ASUR (Grupo Aeroportuário del Sureste). A venda, que inclui o Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, havia sido confirmada em novembro de 2025 e a aprovação da transferência do controle societário pela Diretoria Colegiada da Anac é mais uma etapa no andamento da transação, cujo valor é de R$ 11,5 bilhões. Por enquanto, a administração dos terminais brasileiros segue sob responsabilidade da Motiva.

A aquisição do controle dos terminais aeroportuários marca a entrada do grupo mexicano no Brasil e as operações devem começar ainda neste ano. Além de Londrina, a empresa irá assumir a gestão dos aeroportos de Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais, no Paraná, Confins, em Belo Horizonte (MG), e Goiânia (GO). No exterior, a Motiva deverá repassar o controle dos aeroportos de Quito, no Equador, San José, na Costa Rica, e Curaçao, país insular ao sul do Mar do Caribe. Ao todo, são mais de 200 rotas regulares.

O ASUR administra 16 aeroportos nas Américas, sendo nove no México, incluindo o Aeroporto Internacional de Cancún, o principal destino turístico do país. Os negócios do grupo se estendem também à Colômbia, Porto Rico e Estados Unidos.

A Motiva venceu a disputa pela concessão dos terminais brasileiros em 2021. Conforme o contrato de concessão, para a troca de ativos é obrigatória a anuência da Anac. Na sexta-feira, a decisão da Diretoria Colegiada do órgão de aviação civil de aprovar a transferência do controle societário foi unânime. Dos R$ 11,5 bilhões anunciados pela venda da concessão, R$ 5 bilhões referem-se ao patrimônio líquido (equity) e R$ 6,5 bilhões é o valor da dívida líquida da empresa na CPC Holding, estrutura onde estão concentradas as participações nos 20 aeroportos.

No ano passado, a Motiva registrou crescimento de 6,2% no volume de passageiros dos aeroportos na comparação com 2024, passando de 45,1 milhões para 47,9 milhões. O lucro líquido ajustado teve alta de 25% no período, saltando de R$ 1,780 milhões para R$ 2,225 milhões. Os aportes da empresa nos terminais aeroportuários somaram R$ 780 milhões. No balanço divulgado pela concessionária neste ano, referente ao primeiro trimestre, os resultados dos aeroportos já não aparecem.

A Motiva manifestou-se por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa. A concessionária confirmou a autorização da Anac e disse que essa é mais uma etapa do processo de venda anunciado em novembro de 2025. “A transição ainda não foi concluída e a Motiva segue à frente da administração dos aeroportos. A mudança não deve impactar as operações”, disse a empresa.

O grupo ASUR e a Anac foram procuradas, mas até a publicação dessa reportagem não haviam respondido

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