Amputações atingem 300 ao ano
As amputações provocadas por causa dos acidentes de trabalho chegaram a 300 no Paraná, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. No ano passado foram registradas três mil mortes no País, sendo que 10% ocorreram no Estado. Esses números podem ser maiores, porque muitos acidentes não são relatados, afirma a coordenadora do Comitê Estadual de Investigação de Óbitos e Amputações Relacionados com o Trabalho, Cristina Ribeiro. As serras circulares, responsáveis por 41 acidentes em 1998, foram as principais causadoras.
O Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) informou que pagou R$ 2,3 milhões em benefícios acidentários, somente no primeiro semestre deste ano. Segundo a assessoria do INSS, foram concedidos 5.388 benefícios de acidentes de trabalho, neste período, que representaram um desembolso de R$ 1,8 milhão. A diferença se refere a outros tipos de auxílios previdenciários.
Dados de 1998 da Secretaria Estadual de Saúde, mostram que houve 19,6 mil acidentes de trabalho, sendo que 41,6% são referentes a casos de trabalhadores com LER e outros 41,6% são de perda auditiva induzida por ruído. Esta doença já é conhecida pela sigla PAIR.
Segundo dados divulgados pelo Comitê Estadual de Investigação de Óbitos e Amputações Relacionadas com o Trabaho, entre os meses de julho de 1998 e março de 2000 foram encaminhados para investigação 797 acidentes. As mortes equivalem a 37% do total e as amputações 61%. As indústrias madeireira e da construção civil lideram as estimativas.
A Promotoria de Defesa da Saúde do Trabalhador, em Curitiba, recebeu nos últimos seis meses aproximadamente 700 ações indenizatórias e outros quatro mil processos administrativos, que podem virar ações trabalhistas. Segundo a assessoria da Promotoria, nos casos de óbitos as empresas não fazem acordos extra-judiciais. Em 98, o INSS registrou 19 mil pessoas com incapacidade permanente. Esse controle é feito através da Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT).
Uma pesquisa realizada na Grande São Paulo, em 1998, constatou que a maior parte dos trabalhadores acidentados que teve parte do corpo amputada, não consegue trabalho. Segundo o estudo, a redução dos postos de trabalho cria uma dificuldade extra para o acidentado.
Criado no final de 1997, o Comitê de Investigações de Óbitos realiza um estudo em âmbito estadual sobre as causas dos acidentes de trabalho, principalmente os que provocam mutilações e mortes.(J.C.L)





