Alcimar de Jesus Soares, 18 anos, é mineiro mas conseguiu o primeiro emprego com carteira assinada no Paraná. Trazido por um amigo, ele arranjou trabalho como cortador de frango na C.Vale, em menos de 15 dias. ''Vim para Palotina para trabalhar na C.Vale. Demorei para começar a trabalhar só o tempo que fiz os exames médicos'', lembra. Ele foi um dos contratados pela cooperativa do oeste do Estado, para trabalhar na ampliação do abatedouro. Uma indústria de cortes cozidos, fritos e assados, além de uma fábrica de rações e uma desativadora de enzimas tóxicas dos grãos de soja também foram construídas. A cooperativa abrirá 2.680 vagas com a ampliação.
A inauguração do complexo ocorreu na tarde de ontem contou com a presença do presidente em exercício, José de Alencar; do ministro da Agricultura e Abastecimento Roberto Rodrigues; do governador do Paraná, Roberto Requião, do vice-governador, Orlando Pessuti, além de senadores e autoridades regionais e locais.
Em seu discurso, Alencar reforçou que os produtos agrícolas brasileiros têm competitividade no mercado externo, com qualidade e preços competitivos, mesmo sem receberem subsídios para a produção. Atualmente, 50% da produção de frangos da C.Vale é exportada. Com a ampliação, a cooperativa espera exportar 70% dos produtos beneficiados.
Alencar disse também que organização das cooperativas no Paraná e política do governo do Estado voltada ao pequeno produtor demonstram para o País como é possível o desenvolvimento econômico a partir das pequenas propriedades. ''Através das cooperativas, a exemplo do que ocorre no Paraná, acredito que poderemos fazer a verdadeira reforma agrária'', ressaltou ao destacar que 40% dos cooperados da C.Vale possuem propriedades com menos de 10 hectares.
O presidente da cooperativa, Alfredo Lang, salientou que o objetivo da empresa é ter 33 mil profissionais envolvidos direta e indiretamente com as atividades avícolas da C.Vale até o ano de 2010. Segundo ele, a criação de aves inicialmente implantada em 1997 pela cooperativa na região representa uma forma de diversificar as atividades dos produtores rurais e incrementar os rendimentos dos agricultores. Além da indústria, a cooperativa construiu 400 aviários na região que beneficiam diretamente centenas de pequenos produtores.
Quanto à mão-de-obra para as ampliações, Lang ressalta que a C.Vale emprega trabalhadores de toda a região oeste. ''Precisamos buscar mão-de-obra longe de Palotina porque aqui a mão-de-obra disponível já foi utilizada'', explica. Ilda Gaudino da Silva Souza, 25 anos, mora no município de Cafezal. Ela demora cerca de duas horas para se deslocar até o frigorífico, mesmo assim acredita que o esforço é vantajoso. ''Aqui é um local que tem muitos benefícios e se você quiser crescer é só se dedicar'', avalia.
Em 2004, a C.Vale faturou R$ 1,28 bilhão em 2004, obtendo o segundo melhor resultado entre as cooperativas do País. Com as obras de ampliação, o abate de aves, que é de 150 mil por dia, irá saltar para 300 mil animais/dia. Foram investidos R$ 240 milhões. Os recursos vieram do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Regional de Desenvolvimento Econômico do Paraná (BRDE), recursos da cooperativa e financiamentos externos.

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