Amorim vê chance de liberalização das regras do comércio global
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terça-feira, 29 de julho de 2003
Agência Estado 
Montreal- As consultas entre 26 ministros dos países-chave da Organização Mundial de Comércio (OMC) reunidos em Montreal reacenderam ontem a esperança de avanço nas cruciais negociações sobre agricultura, que emperram a Rodada Doha de liberalização das regras do comércio global praticamente desde o seu lançamento, em novembro de 2001. O chanceler Celso Amorim, que se declarou ''pessimista'' ao final de um jantar com seus colegas, na segunda-feira, saiu mais esperançoso da primeira reunião plenária do grupo, hoje de manhã.
''Não estou otimista, e é ainda cedo para fazer uma avaliação, mas a reunião foi positiva e ficou clara a necessidade de se fazer algum movimento'', afirmou o ministro das Relações Exteriores, que lidera a delegação brasileira, integrada também por seus colegas da Agricultura, Roberto Rodrigues, e do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. ''Tivemos uma discussão substantiva e não acho impossível avançar dentro de uma fórmula em que os Estados Unidos e a União Européia busquem um acordo, mas recebendo a contribuição dos insumos dos demais países.''
A inclusão das reivindicações dos demais países nesse tipo de entendimento é importante para se evitar uma tentativa de repetição do acordo de Blair House, no qual Europa, Estados Unidos e Japão acertaram os termos da conclusão da Rodada Uruguai, ignorando os interesses dos países em desenvolvimento. ''O mundo de hoje não é o mesmo de 1994, e a repetição desse tipo de acordo seria impossível'', disse Amorim.
O encontro de Montreal, que termina hoje, é a última oportunidade para os países tirarem as negociações da rodada do impasse antes da reunião ministerial da OMC, de 10 a 14 de setembro. Progresso na reunião de Cancún, em setembro, é considerado essencial para preservar as reduzidas chances de se fechar um acordo de liberalização do comércio mundial em janeiro de 2005, o prazo estipulado no lançamento da rodada. Segunda-feira, o diretor-geral da OMC, o tailandês Supachai Panitchpakdi, pediu aos ministros que busquem um entendimento, advertindo que se eles falharem, ''o sinal para a comunidade global será o fracasso do sistema multilateral (de comércio) no momento em que este precisa produzir maior acesso a mercados''.


