Amor pela terra levou Kopp à agricultura de precisão
Aos 86 anos, Waldemiro Kopp ainda trabalha na lavoura, 49 anos depois de ter comprado seus primeiros seis alqueires para produzir. Hoje, ele e três filhos plantam soja e, no inverno, trigo e milho safrinha em 20 propriedades. E os cuidados que têm com a terra são exemplo de agricultura de precisão na região. Sem uma única curva de nível, Kopp aposta no plantio direto para manter a saúde do solo e o escoamento da água para os mananciais sem provocar erosão.
A preocupação ambiental, entretanto, vem de muito tempo atrás: quando passou a utilizar herbicidas e outros produtos na lavoura, preferiu guardar as embalagens a jogá-las fora ou simplesmente enterrá-las, como era a orientação na época. Construiu um barracão e guardou, por 33 anos, as embalagens até que o recolhimento e correta destinação passaram a ser responsabilidade do fornecedor. "Como eu ia deixar para outra pessoa pegar? Podiam fazer algum produto reciclado com aquele veneno! E como eu ia enterrar, se o solo é sagrado?", questiona o agricultor, no meio da soja crescendo entre a palha.
As propriedades da família Kopp são amostra dos resultados da agricultura de precisão. O patriarca Waldemiro compreende que o solo precisa ser conservado contra agentes erosivos, como chuva, vento, sol, calor e frio para aumentar a produtividade de modo sustentável.
Kopp protege o solo com camadas de palha de trigo. Assim, ao invés de a chuva impactar diretamente no solo, aumentando o risco de erosão ou criando uma crosta que "sufoca" a terra por baixo, a água bate na palha e corre para os mananciais "quase limpa", afirma. A realidade é bem diferente de quando começou, com plantio convencional. Hoje, entende a necessidade de cuidar do solo e adubar corretamente para aumentar a produção. Ele também agradece às pesquisas na área, que elevaram a produtividade de 100 sacas de milho por alqueire para mais de 150 na mesma área.
O pai de Waldemiro, Hans Kopp, foi um dos fotógrafos pioneiros em Londrina. Mas, na Áustria, era agricultor, o que influenciou na vida dos filhos. O início da produção de Waldemiro ainda tinha técnicas convencionais que exauriam o solo e foi assim por 20 anos, até compreender que melhores cuidados traziam resultados mais perenes. "A terra do Norte do Paraná é a melhor do planeta, mas tem que cuidar. Na seca, ela empedra; molhada, fica compactada. Gostaria que todos entendessem isso e cuidassem da terra roxa como eu cuido", afirma. (L.F.W.)





