Americano pede liberdade ao mercado financeiro do Brasil
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 

Libertar o mercado financeiro nacional das amarras da regulamentação foi uma das receitas apresentadas no Painel Internacional de Política-Econômica Liberty and Inovation Marathon Brazil, realizado terça-feira à noite no Aurora Shopping em Londrina. O evento, que passou por outras cidades do Paraná, foi promovido pelo Conselho do Jovem Empresário de Londrina (Conjove) da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
"É preciso derrubar as barreiras do sistema financeiro brasileiro, para que haja mais bancos e mais competição", afirmou um dos palestrantes, Mark Calabria, que é diretor de estudos sobre regulação financeira do Cato Institute, dos Estados Unidos. Além de promover a entrada de mais bancos, Calabria defende mudanças na legislação para que outros tipos de empresas possam atuar como agentes financeiros. "Na África, empresas de telecomunicações também prestam serviços financeiros a seus clientes", disse ele em entrevista concedida à FOLHA após o painel.
O diretor defende que a desregulamentação se estenda também ao mercado de capitais brasileiro. "Se uma companhia quer crescer nos Estados Unidos, ela tem duas opções: vai ao banco ou ao mercado de capitais. No Brasil, é mais difícil para ela chegar à Bolsa de Valores", declarou. Em sua visão liberal, o norte-americano critica o próprio acordo de Basiléia III, regulamentação internacional do sistema financeiro elabora pós-crise de 2008. "É uma legislação complexa que não favorece os bancos e causa distorções."
Mais cedo, durante sua fala no evento, ele criticou o fato de os bancos serem utilizados como "instrumento de política governamental" e admitiu que as instituições financeiras têm seu "lado negro". Para o palestrante, sistemas financeiros controlados pelos governos tendem a gerar monopólios e oligopólios.
O norte-americano afirmou que, ao contrário do que possa parecer, um sistema financeiro livre pode ser "um agente de desenvolvimento que dá oportunidades às pessoas que não nasceram em famílias ricas". "O desenvolvimento do sistema de crédito permite que os indivíduos sem status social possa competir com aqueles que têm status social." Calabria também afirmou que as sociedades com mercados financeiros mais livres são as que têm renda per capita mais alta. "Os países pobres tendem a ter sistemas mais regulados."
A ESQUERDA
Frederico Gonçalves Junkert, advogado especialista em direito constitucional e representante do movimento Escola Sem Partido no Paraná, foi outro palestrante do evento. Ele fez um histórico da esquerda no Brasil. E afirmou que o pensamento do italiano Antonio Gramsci é o responsável pela ocupação das universidades, da classe artística, da imprensa e dos sindicatos dos trabalhadores pelas ideias de esquerda.
Para Junkert, a economia brasileira passa longe do liberalismo porque a Constituição de 1988 foi construída com "princípios comunistas", já que a maioria dos constituintes eram da esquerda. "Nos Estados Unidos, aconteceu o contrário: a Constituição foi escrita com objetivo de limitar o poder do Estado."
O advogado criticou até mesmo o modelo de privatização das telecomunicações feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que não teria, na visão dele, seguido os preceitos liberais. "Acabou-se com o monopólio estatal e criou-se o privado. São apenas quatro empresas no mercado."
CETICISMO
O evento contou ainda com a participação de Jason Kuznicki, doutor em filosofia pela John Hopkins University e pesquisador nas áreas de liberdade de expressão, relação entre Igreja e Estado e direitos civis. Ele falou sobre a visão de Estado de vários pensadores, de Platão a Marx. No início de sua palestra, o norte-americano se apresentou com uma pessoa cética em relação governos e governantes. "Eu acredito que os governos fizeram mais mal que bem."
O comentário mereceu uma "réplica" do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), que estava na plateia. "O comportamento do político é muito parecido com o da sociedade", defendeu. Kireeff explicou porque, sendo um liberal, disputou a Prefeitura de Londrina. "Quando a gente tem uma indignação, uma vontade de mudança, me parece que só se posicionar contrariamente é pouco."


