América Latina tenta regular oferta de café
France Presse
Da Costa Rica
Com a esperança de fazer reagir os preços no mercado internacional do café, países produtores da América Latina se reunirão hoje em San José, na Costa Rica, para estudar a eventual aplicação de mecanismos de controle da oferta do café.
Representantes do Brasil, Colômbia, México, Venezuela, Peru, Equador e os países da América Central vão analisar as razões pelas quais os preços do café continuam sua tendência para a baixa no mercado internacional, embora se tenha reduzido a produção em alguns países.
Estamos dispostos a buscar uma saída, sabemos que devemos encontrar uma forma para elevar os preços, não podemos falar de mecanismos de retenção, de cotas, mas de regulamentação da oferta, disse o diretor-executivo do Instituto de Café de Costa Rica (Iicafe), Juan Bautista Moya.
Brasil e Colômbia, os principais exportadores de café com 42% da produção mundial deverão marcar a pauta na estratégia que se seguirá para acabar com a instabilidade do mercado, disse Moya.
Afetado por uma severa seca, o Brasil baixou sua produção de 40 milhões de sacas de 60 quilos para 20 e 28 milhões de sacas; enquanto a Colômbia, com uma média de 18 milhões de sacas em anos anteriores, baixou para 11 e 12 milhões de sacas.
Os exportadores brasileiros manifestaram semana passada reservas a uma estratégia de retenção de estoques para elevar o preço, segundo o presidente do conselho de exportadores de café virgem do Brasil (Cecafé), Jorge Esteve.
A idéia do plano de retenção partiu da Associação dos Países Produtores de Café (APPC) e deve começar em junho numa tentativa de elevar o preço do produto. Os detalhes ainda não foram divulgados oficialmente, o que vem gerando muita especulação no mercado internacional. Mas a retenção deve seguir o mesmo padrão das duas anteriores realizadas pela APPC, ou seja, através do sistema de gatilhos. Dependendo do preço do produto, os países exportadores reterão um percentual de suas exportações. Ao se atingir o patamar de preço desejado, as exportações serão liberadas.
Nosso objetivo é montar um plano de retenção baseado no consenso e muito bem fundamentado na sua possibilidade de execução, disse o brasileiro Robério Silva, secretário-geral da APPC. Mas antes de ser implementada, a retenção deverá ainda cumprir com alguns aspectos legais e políticos. O estudo técnico sobre a retenção, elaborado por Silva, está sendo discutido por representantes dos 14 países membros da entidade, responsáveis por cerca de 75% da produção mundial de café em Londres.





