América Latina supera década perdida
Arquivo FolhaNovo perfilAs exportações dos países da América Latina e Caribe para o resto do mundo nesta década cresceram mais que as destinadas para a própria regiãoA América Latina e o Caribe estão transformando os anos 90 na década da vitória e da reviravolta e deixando para atrás a década perdida, como ficou conhecido o período dos anos 80. Pela primeira vez na história latino-americana, as exportações da região para o resto do mundo cresceram, nesta década, mais do que as destinadas para a própria região. Pela primeira vez também as exportações de bens industrializados (duráveis e não duráveis) superaram as vendas externas de produtos primários (agrícolas, minérios e energéticos), que dominaram entre as décadas de 60 e 80.
Essas conclusões fazem parte do último Panorama da Inserção Internacional da América Latina e o Caribe, elaborado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e obtido pela Agência Estado. Os dados oficiais do comércio externo da região - que ainda não incluem os de 1997 - impressionam. As exportações da América Latina e Caribe ao resto do mundo, por exemplo, praticamente duplicaram. Passaram de US$ 121,7 bilhões, em 1990, para US$ 246,1 bilhões em 1996. Nesse período de seis anos, houve apenas uma ligeira estagnação entre 1991 e 1992, quando as exportações ficaram em US$ 120,7 bilhões e US$ 145,9 bilhões, respectivamente.
A Cepal constata também a forte mudança no perfil das exportações latino-americanas no período entre a década perdida e os anos 90. Em 1980, por exemplo, os bens primários representavam 50,9% do total exportado pela região, ante 48,7% dos produtos industrializados. Deste então, as matérias-primas e os produtos agrícolas começaram a ceder cada vez mais espaço para os bens industrializados. Já no início da década de 90, a participação dos bens primários nas exportações totais da região haviam caído para 43,1% e os industrializados aumentado para 56,2%. Os restantes 0,7% se referem a outros bens, como serviços. Mas o maior salto foi dados nos últimos anos. Em 1995, o percentual dos bens primários na pauta de exportações da América Latina já havia recuado para 26,6% e dos industrializados pulado para 72,6%.
O documento da Cepal destaca ainda que, na América Latina, o Mercosul vem se consolidando como o centro de desenvolvimento do continente, acumulando exportações de cerca de US0 90 bilhões, dos quais apenas 20% são destinadas à própria região. De 1990 até o ano passado, as vendas externas do Mercosul ao resto do mundo passaram de US$ 46,4 bilhões para US$ 74,9 bilhões. Já o comércio exterior entre os quatro países membros do bloco regional pulou de US$ 4,6 bilhões para cerca de de US$ 20 bilhões.
Para a Cepal, as estratégias de inserção no mercado internacional da região retomaram a sua importância e começam a se destacar depois que os governos latino-americanos conseguiram controlar os desequilíbrios macroeconômicos e concentrar a sua atenção nos contínuos déficits comerciais e de conta corrente, em relação às décadas anteriores. Apesar disso, a Cepal alerta que esses trunfos estão associados a uma série de desafios. No âmbito das políticas internas, as nações latino-americanas terão ainda de desenvolver iniciativas que permitam conseguir cada vez mais recursos externos para consolidar o processo de crescimento de suas economias.
De acordo com a Cepal, cerca de 2/3 dos investimentos diretos mundiais (US$ 315 bilhões) registrados no ano passado se concentraram apenas em 10 países, enquanto que as 100 nações mais pobres absorveram somente 1% desse total (US$ 3,15 bilhões). Para o organismo das Nações Unidas, o maior desafio das economias latino-americanas no futuro será tentar fortalecer ainda mais a integração comercial regional. Com isso, acrescenta a Cepal, a América Latina poderá gerar um espaço econômico atraente para os investimentos diretos.





