América Latina sem fronteiras pode unir PIB de US$ 9 trilhões
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quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A união dos países da América Latina em torno de um mercado comum é um dos temas discutidos entre quarta-feira e hoje no Rio de Janeiro, na 26ª Conferencia Anual do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), que conta com mais de 300 lideranças latino americanas, americanas e europeias. O debate aponta que a região soma um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 9 trilhões, que equivale à metade do gerado nos Estados Unidos, à metade da União Europeia e a dois terços do chinês, mas com mais atrativos para investidores devido à necessidade de infraestrutura dos países latinos.
Conforme o Ceal, a América Latina apresenta o melhor índice de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) por Produto Interno Bruto (PIB) dos quatro blocos citados, justamente porque é o que tem maior necessidade para obras de infraestrutura, maior possibilidade de crescimento da classe média e maior rendimento para investimentos. "Alimentos, energia, recursos naturais, infraestrutura, enfim, existe um mercado enorme de consumo porque a classe média ainda está se desenvolvendo", diz o presidente do Ceal Internacional, Ingo Plöger.
Para o executivo, existem inúmeras possibilidades de a união de países latinos gerar grupos de comércio com força o bastante para dominar mercados. "Pegue a agroindústria, que é forte no País e no Paraná. Se pensarmos em proteínas animais e vegetais e unirmos a produção do Brasil, da Argentina e de outros vizinhos, com a mesma legislação fitossanitária, por exemplo, será protagonista no mundo", cita Plöger.
Por outro lado, ele acredita que não há risco de ocorrer o mesmo que com Grécia e Portugal, por exemplo, que não vivem o melhor momento econômico apesar de dividirem a União Europeia com gigantes em produção, como Alemanha. "Os países grandes sempre têm uma corresponsabilidade sobre os menores, que precisam ter mais consistência política para ter mais valor", diz. "O Paraguai não tem poder de barganha, mas pode ganhar se unir forças a Brasil e Argentina", completa.
Sobre a situação conturbada da economia brasileira, Plöger não considera um problema. "Existe muita coisa para se fazer no Brasil e a crise vai nos ajudar a reinventar o sistema político e tributário, para voltar a crescer."


