América Latina retoma nível de 50 anos atrás
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quinta-feira, 08 de janeiro de 1998
Agência Estado São Paulo 
Nos últimos 50 anos, o custo de vida na maioria dos países latino-americanos nunca foi tão baixo como o registrado em 1997. A taxa de inflação média da região despencou de 888%, em 1993, para 11% no ano passado, de acordo com dados preliminares da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Os países que mais contribuíram para esse resultado surpreendente foram o Brasil, Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Já a Venezuela, Colômbia e, de certa forma, o México, impediram que a inflação fosse de um dígito.
Os dados da Cepal indicam que o Brasil deve apresentar uma inflação próxima a 4,1%. Esse resultado, se confirmado, será o menor das últimas quatro décadas. A Argentina, pela primeira vez em meio século, deve registrar deflação de 0,1%, sem nenhum sinal de recessão, já que a economia no ano passado praticamente cresceu 8,0% (veja na tabela). Os outros dois sócios do Brasil no Mercosul, Paraguai e Uruguai, vêm conseguindo de forma paulatina manter o controle sobre a inflação.
O Chile, um dos países com plano de estabilização mais bem-sucedido deste século, apresentou inflação de 6,0%, a mais baixa dos últimos 37 anos. Já o México, que enfrentou uma das suas piores crises financeiras e econômicas no final de 1994, conseguiu reduzir uma inflação de 52,1%, em 1995, para 17,6% no ano passado. O Peru também conseguiu baixar a inflação a um dos menores patamares dos últimos dez anos e deve ficar em torno de 7,0%. Outro país andino que fez cair consideravelmente a inflação foi a Bolívia. De dois dígitos registrados em 1995 (12,6%), a taxa passou para 3,8% em 1997.
A queda brutal da inflação nesses países permitiu à América Latina registrar uma inflação média de 11,0%. A taxa é insignificante se comparada aos 335,0% de 1994 e aos 888% de 1993. Essa queda, praticamente generalizada em toda a região, e a manutenção de patamares tão baixos de inflação são fenômenos novos na América Latina, explicou o diretor da Divisão de Estatística e Projeções Econômicas da Cepal, Pedro Saenz. Em entrevista à Agência Estado, por telefone de Santiago, Saenz disse que o resultado é reflexo da luta centralizada dos governo contra a inflação.
Saenz explicou que, nos últimos anos, a luta contra a inflação se transformou no objetivo prioritário de alguns governos. Mas, alertou o executivo da Cepal, o problema inflacionário resolvido e a sua manutenção em patamares baixos não garantem o crescimento econômico que esses países precisam para resolver problemas cruciais, como o desemprego, pobreza e a péssima distribuição de renda.


