América Latina mantém risco
Richard Lapper
Do Financial Times
A América Latina está se recuperando rapidamente da recessão, mas continua vulnerável aos potenciais aumentos de juros nos Estados Unidos.
Esse foi o tom que investidores, analistas e grandes empresários empregaram à analise da economia latino-americana, de acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Em um relatório anual otimista, de modo geral , o BID afirma que o compromisso do continente diante das reformas estruturais vem sustentando uma economia bastante resistente pesa sobre ela a instabilidade financeira internacional dos últimos dois ou três anos.
O BID espera um crescimento entre 3% e 4% para a região este ano, depois de uma expansão estimada em apenas 0,3% em 1999.
Há sérios motivos para ver a região com otimismo, já que ela demonstrou sua capacidade de se recuperar rapidamente dos choques externos e manteve o processo de reforço de suas estruturas macroeconômica e de política financeira e monetária, diz o relatório.
No entanto, o texto acrescenta que as condições externas continuarão a ser fundamentais para a América Latina. Segundo ele, as políticas fiscais, financeiras e cambiais dos países da região ainda não criaram uma linha de defesa contra choques de origem externa.
Desigualdade A desigualdade na América Latina -descrita como entre as mais pronunciadas do mundo é uma barreira verdadeiramente formidável ao avanço da região.
As desigualdades econômicas e sociais generalizadas resultam de um prolongado período de distribuição desigual de ativos, especialmente a terra e o capital humano, e de diferenças no acesso a oportunidades.
Não pode haver crescimento econômico sustentado sem avanço social, diz Enrique Iglesias, presidente do BID.
A alta nos preços do petróleo e do cobre no ano passado foi compensada pela debilidade continuada nos preços das commodities macias, como café e soja, o que conduziu a novos declínios no resultado do comércio exterior da região.
A Argentina, por exemplo, passou por uma queda de 4% em suas exportações no ano passado.
A entrada de capital também diminuiu, com quedas nos investimentos em Bolsa compensando o vigor continuado dos investimentos estrangeiros diretos, afirmou Iglesias.
Segundo ele, os governos têm pouco fôlego para implementar políticas fiscais que caminhem na direção oposta à dos ciclos econômicos, e, em alguns países, a debilidade dos sistemas bancários significa que cortes constantes nas taxas de juros não resultaram automaticamente em um aumento no volume de crédito disponível à economia.
Desvalorização Quatro dos governos da região recorreram a desvalorizações cambiais para aliviar a pressão econômica que vinham sofrendo.
Brasil, Chile, Colômbia e Equador abandonaram suas taxas de câmbio fixas durante 1999.
No entanto, o compromisso com a ortodoxia macroeconômica e o processo de reforma foi fundamental para manter altos os níveis de investimento estrangeiro direto e produzir rápidas melhoras nas perspectivas de crescimento.
Não pode haver economia sadia e duradoura enquanto houver uma política enferma, disse Iglesias.
Tradução de Paulo Migliacci





