América Latina irá crescer 4% em 2004, prevê BID
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segunda-feira, 29 de março de 2004
Vladimir Goitia<br> Agência Estado 
Lima - A recuperação econômica da América Latina verificada em 2003, quando os países da região cresceram 1,5%, em média, ainda é frágil, e, embora estimativas otimistas mostrem uma expansão pouco mais vigorosa, entre 3,5% e 4%, para este ano, as perspectivas de médio prazo continuam incertas devido aos efeitos gerados pela longa crise dos anos anteriores, afirma o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em seu Relatório Anual 2003, que foi divulgado ontem, durante a Assembléia Anual da instituição.
O BID atribui a ''uma feliz combinação de circunstâncias externas e internas favoráveis'' a recuperação da América Latina e o Caribe depois de um longo período de estagnação, que teve início em 1998. Na frente externa, argumenta o banco, ''o crescimento da economia mundial começou a se acelerar, os preços das matérias-primas subiram e houve uma perceptível melhora no ambiente de risco financeiro internacional''. Em decorrência disso, afirma o BID no relatório que foi divulgado oficialmente ontem, ''a região obteve capital a taxas mais baixas''.
Na frente interna, vários fatores contribuíram para a incipiente recuperação latino-americana. Os déficits externos, por exemplo, foram corrigidos, as elevadas taxas reais de câmbio estão levando a um aumento das exportações e as taxas moderadas de inflação permitem uma queda, mesmo que moderada, das taxas de juros. ''Isso mostra claramente que a recuperação econômica da América Latina e do Caribe está estreitamente relacionada ao ambiente econômico internacional'', afirma o BID.
Apesar da dependência externa, o BID se mostra otimista e diz que a região está, agora, numa fase de recuperação, principalmente a Argentina, que cresceu 8,7% em 2003. A situação no Brasil também é promissora, já que, de acordo com uma fonte do BID, ''desapareceram os temores que existiam há um ano, quando o País enfrentou uma dura crise''.
O otimismo do banco, porém, limita-se ao ano em curso, já que, o próximo e os seguintes dependerão, e muito, do cenário externo. ''Tudo dependerá da economia norte-americana, que, por enquanto, está em expansão. Em ano eleitoral, ninguém (nenhum candidato à Casa Branca) se animará a fazer qualquer tipo de ajuste que poderia até elevar os níveis das taxas de juros norte-americanas'', comentou com a Agência Estado essa importante fonte do BID.
Os economistas desse organismo multilateral de financiamento alertam, por exemplo, sobre os níveis de dívida pública, que, em muitos países, ainda estão excessivamente altos. ''Embora os déficits fiscais tenham sido reduzidos, em algumas economias ainda continuam demasiado altos como para garantir estabilidade'', diz o relatório de pouco mais de 150 páginas.


