América Latina evitou erros cometidos pelos países da Ásia
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de março de 1999
France Press 
Os países latino-americanos resistiram bem aos efeitos das recentes turbulências financeiras internacionais, em parte porque evitaram os erros cometidos por muitos países asiáticos, disse ontem, em Paris, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Michel Camdessus.
A América Latina tem demonstrado uma forte capacidade para resistir e ressurgir das crises, disse Camdessus no seminário sobre os problemas financeiros internacionais, à margem da 40ª assembléia anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
ClarezaCamdessus indicou que no caso da Ásia, imperava um alto grau de nepotismo, o que tornava difícil distinguir onde terminava o governo e começava o setor privado, enquanto na América Latina esta situação é mais clara.
Sobre a globalização, Camdessus estimou que seus efeitos foram em geral positivos, aumentando o comércio e a criação de empregos, mas também ocorreram efeitos negativos, que talvez não foram previstos ou possivelmente subestimados por alguns governos.
VulnerabilidadeNovos instrumentos financeiros sofisticados e novas tecnologias geraram enormes fluxos de capital e de investimentos em direção aos mercados emergentes, mas em certas ocasiões os responsáveis pelo manejo destes fluxos fizeram avaliações frívolas dos riscos, destacou Camdessus.
Não existe nenhum governo, em nenhuma parte do mundo, que não tenha algum grau de vulnerabilidade frente às pressões externas.
A vulnerabilidade é ainda maior quando as instituições financeiras nacionais são fracas, como ocorreu no ano passado com Rússia e Brasil, em meio aos efeitos da crise asiática, disse Camdessus.
União EuropéiaOs ministros para Assuntos Exteriores da União Européia retomaram ontem o debate sobre as reformas orçamentárias da Agenda 2000, durante uma reunião informal na qual estão sendo registrados avanços substanciais, segundo o ministro alemão Joschka Fischer.


