Washington - A América Latina crescerá 4,1% este ano, e sua recuperação econômica será mais resistente e sólida que em 2004, informou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu relatório Perspectiva Econômica Mundial, publicado ontem.
''O crescimento na América Latina está perdendo um pouco de seu ritmo forte do ano passado'', quando chegou a 5,6%, a maior alta do PIB desde 1980, disse o economista-chefe do FMI, Raghuram Rajan, ao apresentar o relatório semestral à imprensa.
No entanto, o FMI acredita que a região vai continuar se recuperando da crise e vai manter o crescimento acima da média da década de 90 este ano e em 2006 devido a uma alta da demanda doméstica e internacional.
O relatório, publicado nas vésperas da reunião anual da instituição e o Banco Mundial (Bird) neste fim de semana, manteve a previsão de alta do PIB do semestre passado e elevou de 3,6% para 3,8% a perspectiva de crescimento da região para 2006.
Porém, advertiu para os riscos que podem afetar suas boas projeções, como um enfraquecimento dos mercados de matérias-primas - fora o petróleo - e um aumento das taxas de juros dos países industrializados pelos altos níveis de dívida pública e a elevada dolarização financeira.
''No entanto, a perspectiva é que a atual expansão será mais resistente que as passadas'', afirmou. Segundo o Fundo, o alto custo das matérias-primas e exportações de produtos não-manufaturados ''continua dando impulso ao crescimento'', mas a alta das commodities não vai durar a vida toda.
Por isso, a instituição recomendou que a região aproveite a oportunidade para construir as bases de um crescimento sustentado mais elevado, não apenas com seu atual esforço para reduzir as vulnerabilidades macroeconômicas - que contribuiu para a resistência da expansão, mas também através de reformas estruturais.
No Brasil, o PIB aumentará 3,3% este ano, contra 4,9% em 2004, na Argentina crescerá 7,5%, contra 9% em 2004. O Chile registrará alta de 5,9%, contra 6,1%; e o Uruguai baixa, de 12,3% em 2004 para 6% em 2005, acrescentou o relatório. Segundo Rajan, a estimativa para a Argentina não leva em conta um eventual acordo financeiro com o FMI.
''Estamos negociando pois os argentinos vêm mostrando interesse em ter um programa apoiado pelo Fundo, mas ainda é cedo para especular quando o acordo será assinado e qual será a mudança nas nossas previsões'', afirmou.
Para manter o crescimento a médio prazo, o FMI insistiu que a Argentina vai precisar de uma saída para ''as dívidas pendentes com os credores'', além de eliminar gradualmente os impostos distorcidos e melhorar os incentivos aos investimentos privados no fornecimento de serviços públicos, entre outras coisas.

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