Amepar pede que Covas volte atrás
Cláudia Lopes
De Londrina
A Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar) enviará, na próxima semana, um expediente ao governador do Estado de São Paulo, Mário Covas (PSDB), pedindo o cancelamento da portaria que limita a compra de produtos de outros Estados pelas microempresas paulistas. Pela lei, as empresas de São Paulo cadastradas no sistema Simples só podem comprar de fabricantes de outros Estados até 20% do que comercializam.
Cerca de 15 prefeitos da Amepar participaram ontem de uma reunião na sede da Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, para discutir os reflexos da lei nas empresas da região. Vamos tomar medidas políticas e administrativas, garantiu o prefeito de Cambé e presidente da Amepar, José do Carmo Garcia (PTB).
O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) prometeu telefonar hoje para o governador Covas, solicitando a revogação da lei, que ele considera inconstitucional por dar tratamento desigual às empresas.
A procuradoria do Estado do Paraná está se preparando para ingressar com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. Ontem, a representante da procuradoria, Bernadete de Souza, participou da reunião.
Caso Mário Covas não volte atrás, o deputado Hauly disse que irá levar a reclamação paranaense a líderes políticos do País. Entre eles, citou o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). No momento em que São Paulo critica os benefícios dados à Ford na Bahia, toma uma medida que discrimina todos os outros Estados da Federação, disse.
Hauly e vários prefeitos da região afirmam que, mesmo que a lei não seja revogada, o Estado do Paraná não deve aprovar lei semelhante à de São Paulo. Sou contra qualquer medida de retaliação. O Paraná não deve entrar nesta guerra fiscal, afirmou o prefeito de Arapongas, José Bisca (PFL).
O município, que é pólo moveleiro no Estado, perderá uma receita de R$ 130 milhões anualmente por causa da lei, segundo Bisca. O faturamento anual do setor é de R$ 450 milhões. Isso significa uma perda de 30%, calcula Bisca. Dos 5,5 mil trabalhadores, 1,5 mil também correm risco de perder o emprego até outubro.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, a portaria paulista está na contramão da modernidade. Num momento em que o mundo abre suas portas, São Paulo está fechando as porteiras, disse.
A proprietária da Cris Jeans, Clarice Gasparotto, disse que neste mês houve já uma queda de 40% nas vendas da indústria por conta da portaria. Ela diz que compra 80% da matéria-prima de fornecedores paulistas, tem 120 empregados e produz 20 mil peças/mês. O sócio-proprietário da Malhas Omodei, Jair Omodei, também calcula uma queda nas vendas de 40%. A malharia tem um faturamento anual de R$ 600 mil e produção mensal de 15 mil peças. A redução dos pedidos desestabiliza a fábrica, gerando desemprego.
Participaram da reunião também o presidente da Sociedade Rural, Francisco Galli e o delegado da Receita Estadual de Londrina, Carlos Gilberto Shafer.





