Ameaça no Iraque faz petróleo fechar em alta
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quinta-feira, 12 de agosto de 2004
Agência Estado 
Nova York - Os contratos futuros de petróleo voltaram a fechar em novos recordes tanto em Nova York (New York Mercantile Exchange-Nymex) quanto em Londres (International Petroleum Exchange-IPE). Desta vez, o estopim para a alta foi o temor de que os pesados ataques no sul do Iraque possam levar à interrupção do vital fornecimento daquele país.
Forças norte-americanas lançaram ontem uma ofensiva na cidade sagrada de Najaf contra a milícia liderada pelo clérigo xiita Muqtada al-Sadr.
Os seguidores de Sadr ameaçam explodir oleodutos e a infra-estrutura portuária caso a ofensiva atinja o santuário da cidade. Uma ameaça semelhante anunciada na última segunda-feira provocou uma breve suspensão do bombeamento de petróleo para os terminais do sul. O Iraque exporta 1,7 milhão de barris por dia de petróleo, ou cerca de 2% do consumo mundial.
''Os terroristas vêem na interrupção do fornecimento de petróleo uma forma de atacar os EUA e a economia mundial. É claro que o mundo não pode suportar uma diminuição de um milhão de barris por dia do fornecimento'', disse o analista Fadel Gheit, da corretora Oppenheimer em Nova York.
Essas notícias provocaram um grande impacto sobre os contratos futuros de petróleo porque se somam às preocupações com o futuro da Yukos e ao medo de instabilidade na Venezuela, onde será realizado neste domingo um plebiscito para decidir a permanência de Hugo Chávez na presidência. Ontem, autoridades da Arábia Saudita afirmaram que o país vai aumentar sua produção se for necessário, mas esses comentários não conseguiram derrubar os preços por muito tempo.
Os operadores questionam a capacidade do país de cumprir essa promessa. ''A alta de ontem depois das notícias da Arábia Saudita foi impressionante e deixou o mercado numa posição para testar novas máximas'', disse o analista Tom Bentz, da corretora BNP Paribas em Nova York. O analista Peter Beutel, da Cameron Hanover, entretanto, acredita que, antes de uma nova puxada dos preços, haverá uma correção. ''O nível de US$ 50 está atuando como um ímã. As pessoas estão falando nisso. Muita gente sente que a tendência é de valorização como nunca foi antes e nós devemos estar em níveis recordes tanto absolutos quanto em termos de inflação'', afirmou.
Na Nymex, os contratos de petróleo para setembro fecharam em US$ 45,50 o barril, em alta de US$ 0,70 (1,56%); a mínima foi de US$ 44,95 e a máxima de US$ 45,75. Na IPE, os contratos de petróleo Brent para setembro fecharam em US$ 42,29 o barril, em alta de US$ 0,72 (1,73%); a mínima foi de US$ 41,72 e a máxima de US$ 42,56.


