Ameaça de taxar soja irrita o Paraná
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quarta-feira, 07 de maio de 1997
Vânia Casado Sucursal de Curitiba 
A informação que circulou, ontem, dando conta que o governo federal estuda a volta da taxação das exportações da soja em grão para reduzir o desemprego nas indústrias moageiras caiu como uma bomba no Paraná. Os produtores reagiram com indignação ao que consideram um lobby da indústria. A Faep divulgou uma nota oficial assinada pelo presidente da entidade, Ágide Meneguette rejeitando qualquer tentativa do governo em revogar a Lei Kandir, que desonerou o pagamento de ICMS nas exportações dos produtos agrícolas.
Na Ocepar, o presidente João Paulo Koslovsky entrou imediatamente em contato com o presidente da OCB - Organização das Cooperativas do Brasil - Dejandir Dalpasquale, para protestar contra a medida. Pasquale tentou tranquilizá-lo, alegando que obteve um desmentido por parte do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente.
Ágide Meneguette disse que considera essa medida um esbulho contra os produtores rurais que conseguiram uma conquista importante e agora o governo se rende à pressões. Segundo ele, a indústria quer continuar comprando produtos a preços mais baratos, como ocorria no passado e acena, de forma obscena, com o desemprego. Eu não vejo essa mesma preocupação do governo com os empregos do setor agrícola, afirmou ao lembrar que quem está dando sua contribuição positiva para a balança comercial brasileira é justamente o setor agrícola.
Manobra da indústria Meneguette chama a atenção do presidente Fernando Henrique Cardoso sobre essa manobra porque, segundo ele, deverá trazer graves prejuízos para a agricultura nacional, que ainda está descapitalizada pelo desastre da comercialização da safra em 1995.
Segundo levantamento feito pela Faep, a expectativa é que o país embarque este ano 8 milhões de toneladas de soja para o exterior. No ano passado, foram exportadas somente 3,6 milhões de toneladas porque até outubro do ano passado, incidia uma alíquota de ICMS de 13% nas exportações de soja em grão. Com a desoneração dessa taxa, o ganho do produtor foi maior.
Na Ocepar, o sentimento também era de revolta. Para o diretor-econômico Nelson Costa, se o governo voltar a taxar as exportações de soja em grão, como querem as indústrias, que alegam dificuldades em comprar a matéria prima, o preço pago ao produtor deverá cair e muito. Segundo ele, este foi o primeiro ano que o produtor conseguiu uma margem razoável para a comercialização de seu produto e agora se vê vulnerável à essas ameaças.


