Ameaça de juro maior assusta mercados
Agência Estado
De São Paulo
Passado o temor com o bug do milênio, que não se concretizou, o mercado voltou a se preocupar com os juros norte-americanos. Comemoraram a transição de ano tranquila apenas os (poucos) mercados asiáticos que funcionaram ontem. Os demais foram afetados pela Bolsa de Nova York, que passou a maior parte do pregão em queda.
O índice Dow Jones começou a cair após a divulgação dos indicadores da Associação Nacional dos Gerentes de Compras (NAPM). Os números foram interpretados como evidência de que a economia dos EUA continua a crescer em ritmo forte e que as pressões inflacionárias podem estar se intensificando. Isso alimentou a expectativa de que o Federal Reserve volte a elevar as taxas de juro de curto prazo em sua próxima reunião, nos primeiros dias de fevereiro.
Aqui, a Bovespa chegou a subir 1,85% antes de Wall Street abrir. Mas tão logo o índice Dow Jones virou, a bolsa paulista acompanhou o movimento, para fechar em queda de 0,94%, abaixo dos comemorados 17 mil pontos, em 16.930 pontos. O movimento de realização de lucros mais forte aconteceu no Recibo de Telebrás PN, que caiu 2,46%, cotado a R$ 228,50. Já os papéis de Petrobras PN subiram 2,16%, para R$ 469,97.
Fora do índice da carteira teórica paulista, o destaque foi Itautec ON, que disparou 125%, para R$ 10,80. Esta foi a maior alta da Bolsa paulista.
O mercado doméstico começa o ano assustado com o movimento tenso no pregão de ontem em Wall Street. Segundo operadores, depois de uma virada tranquila, as mesas de operações foram contamindas pelo fantasma de uma provável alta das taxas de juros norte-americanas.
O mercado interno foi contaminado pelo mau humor dos americanos. O dólar fechou em R$ 1,8210, com alta de 1,05%. Os juros, no entanto, acabaram recuando suas taxas no final dos negócios, depois de sofrerem leve pressão durante o dia. O Banco Central decidiu não intervir, como em dezembro. O quadro agora é outro. Em dezembro, o BC atuou com frequência porque havia o temor do bug e alguma especulação. Agora, o BC preferiu deixar o mercado livre porque a alta do dólar tinha influência externa, comentou um operador.





