O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho, que foi de 0,52%, ficou um ‘‘pouco acima do esperado’’ pelo Banco Central (0,46%). O IPCA serve de base para a meta de inflação. O temor de que a meta de inflação deste ano fosse ultrapassada determinou a decisão de elevar novamente os juros, de 18,25% para 19%, na semana passada. A informação consta da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada ontem.
O Copom avaliou que as pressões sobre a taxa de inflação, o aumento do ‘‘núcleo’’ da inflação nos últimos meses e o risco do repasse cambial aos preços, inclusive via preços administrados, recomendaram um ‘‘reforço’’ da política monetária na forma de um aumento da taxa de juros para assegurar a convergência da inflação à trajetória de suas metas.
A meta da inflação continua em 4%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Segundo a ata, a manutenção da taxa de juros no nível de 18,25% ao ano, que prevalecia antes da última reunião do Copom, ‘‘aponta’’ para uma inflação ‘‘em torno do limite superior da meta de 2001’’, ou seja, 6% medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
‘‘No entanto, para 2002, projeta-se uma inflação abaixo da meta de 3,5%’’, diz o documento.
Essas conclusões da autoridade monetária têm por base um cenário básico, que contempla o fato de o IPCA do mês passado ter ficado ‘‘pouco acima’’ do previsto. Têm ainda por base um preço médio do barril de petróleo de US$ 25,50 no terceiro trimestre deste ano e de US$ 25 no quarto, além de uma nova queda na taxa de juros dos Estados Unidos em 2001, entre outros.
Sobre as tarifas de energia, o Copom revela que a projeção do BC para o reajuste das tarifas de energia elétrica em 2001 foi mantida em 20%.
‘‘Para o conjunto de preços administrados, incluindo combustíveis, energia, transportes públicos, telefonia, IPTU e emprego doméstico, o reajuste total esperado manteve-se praticamente inalterado em 13%, com contribuição direta de 2,9 pontos percentuais para a inflação de 2001’’, segundo o documento.

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