Ameaça de greve novamente em montadora
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quinta-feira, 07 de fevereiro de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Os trabalhadores da montadora Renault, localizada em São José dos Pinhais, tem uma reunião hoje com a direção da empresa sobre a possibilidade de demissão de quatro delegados sindicais. O delegado sindical Robson Vieira da Silva disse que se a empresa optar pelas demissões, o complexo todo (fábrica de veículos de passeio, de utilitários e de motores) pode iniciar uma greve a partir de amanhã.
A montadora alega que os delegados sindicais impediram os trabalhadores de entrar na fábrica no dia 18 de janeiro para não realizarem hora extra. Naquela data cerca de 1.400 funcionários não cumpriram o expediente. ''Não houve impedimento da entrada dos trabalhadores'', disse sindicalista.
Silva disse que o protesto não é contra a hora extra mas pelo não cumprimento da Portaria 42 do Ministério do Trabalho. A legislação impede as empresas que têm redução no horário de refeição de trabalharem com hora extra. Segundo ele, hoje, o horário de almoço é de 40 minutos e a montadora trabalha com regime de horas extras de segunda a quinta-feira e aos sábados.
Ontem, os funcionários tiveram uma assembléia com o representante do Comitê de Grupo Renault (CGR), Antonio de Almeida, e com os secretários adjuntos Alessandro Galego e Emanuel Couveur. A entidade internacional representa todos os trabalhadores da montadora e está sediada na França. Os representantes do Comitê foram recebidos pelo gerente de relações trabalhistas e sindicais da Renault. O assunto das demissões será encaminhado para o presidente mundial da companhia, Carlos Gohsn. A Renault não se pronunciou sobre o assunto ontem.
Os delegados sindicais Gilberto Miranda, Alceu Luiz dos Santos, Irineu Carvalho e Robson Vieira da Silva estão acampados em barracas em frente a montadora desde o dia 20 de janeiro. Eles argumentam também que a Renault quer demiti-los por ''falta grave'' em virtude de denúncias e protestos que fizeram no retorno das férias, em 7 de janeiro, quando a montadora proibiu a entrada na fábrica dos operários com equipamentos eletrônicos, como celulares e máquinas fotográficas, em virtude do lançamento de um novo veículo.


