Ameaça à soja do MT: ferrugem e chuva
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sábado, 12 de abril de 2003
Sílvio Oricoll<br>Reportagem Local 
Rondonópolis - Principal produtor nacional de soja, com safra estimada em 13,26 milhões de toneladas, o Mato Grosso corre o risco de não dispor de sementes suficientes para atender a demanda do próximo plantio, em consequência do ataque do ferrugem asiática, que provocou a quebra de 1 milhão de toneladas, resultando em prejuízos de R$ 200 milhões, e da chuva que tem atrapalhado a colheita e comprometido a produção. Para a safra 2003/04, a estimativa é de aumento de 16,3% na área, passando dos atuais 4,3 milhões para 5 milhões de hectares, o que exigirá mais um milhão de sacas de semente, segundo Dario Hiromoto, diretor de pesquisa da Fundação MT.
Hiromoto disse que agora é preciso esperar a conclusão da colheita para poder avaliar a real extensão dos prejuízos e, a partir daí, tentar conseguir sementes em outros Estados da região Centro-Oeste, especialmente em Goiás. Ele informou que normalmente o Mato Grosso depende de 25% a 30% de produtos de fora para atender a demanda dos agricultores. E avalia que serão necessários de 6,5 milhões a 7 milhões de sacas para o plantio de 5 milhões de hectares da próxima safra.
O pesquisador informou que o ataque da ferrugem asiática causou muitos prejuízos no médio Norte do Estado. Mas os danos não foram maiores porque o produtor recebeu orientação de como se prevenir ou combater a doença, que se instalou na lavoura há dois anos. A Fundação Mato Grosso obteve quatro variedades tolerantes à ferrugem, com a vantagem de serem bastante produtivas. Mas esses materiais só estarão disponíveis em escala comercial em dois anos.
Hiromoto lembrou que o gasto com a aplicação extra de fungicida equivale de três a seis sacas de soja por hectare. ''Por isso, o produtor tem de elevar a produtividade acima de 60 sacas por hectare para compensar o gasto adicional'', disse. Gilberto Flávio Goellner, presidente da Fundação Mato Grosso e da Agrishow Cerrado, informou que o custo de produção por hectare no Estado é de 40 sacas por hectare. Com o acréscimo de gastos por causa da ferrugem, um sojicultor, com produtividade de 50 sacas por hectare, vai ter uma renda de apenas R$ 150,00 por hectare por ano, disse Goellner.
Chuva - Geraldo Ornellas, analista da Lucra Corretora, de Cuiabá, informou que, por enquanto, existe muita especulação acerca dos danos causados pela chuva. No mercado, há quem fale em quebra de 10% na safra por causa do excesso de umidade. Mas disse que já há produtor na região Sul do Estado que nem está mais colhendo a soja, pois não há mais o que fazer. Segundo ele, em média, de cada lote de 600 sacas entregues nas indústrias, 100 são devolvidas ou adquiridas com deságio por estarem fora do padrão de qualidade.


