AMEAÇA - Ferrugem ataca lavouras de soja
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A ferrugem da soja, doença que provocou danos econômicos em cerca de 400 mil hectares na última safra, já foi identificada em lavouras brasileiras na safra 2002/2003. A Embrapa Soja, sediada em Londrina, observou a ocorrência da praga em Itapeva, no sul de São Paulo. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) identificou a ferrugem em lavouras do norte e oeste do Estado.
A incidência em áreas paranaenses não é preocupante, garante o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral. Segundo ele, o clima quente que predomina neste verão é desfavorável ao alastramento da praga, que se desenvolve em temperaturas amenas e chuvas bem distribuídas.
No ano passado, houve ocorrência de ferrugem nas regiões de Tamarana (62 km ao sul de Londrina) e Ponta Grossa. ''Nos locais onde foi identificada, causou prejuízo de 10%'', informou a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja.
Os sintomas da doença se manifestam a partir da fase de floração e podem ser facilmente visualizados nas folhas amarelas, na parte inferior das plantas. A recomendação da pesquisadora é que os produtores fiquem alertas a qualquer sinal de incidência da praga. ''Se as condições climáticas forem favoráveis, é preciso fazer aplicação de produtos específicos para controle'', afirmou.
O controle da ferrugem pode ser feito com produtos químicos disponíveis no mercado, também usados para prevenir o aparecimento das outras doenças presentes no final do ciclo da cultura. A indicação da pesquisa é para a aplicação de triazóis, estrobirulinas ou misturas prontas desses produtos.
O produtor deve seguir a dosagem indicada no registro do fungicida no Ministério da Agricultura, que vem exposta na embalagem. Mais informações sobre o controle da ferrugem podem ser obtidas no Sistema de Alerta da Embrapa, disponível no site www.cnpso.embrapa.br.
Cláudia explicou ainda que a planta infectada pelo fungo apresenta minúsculas lesões (pequenos pontos negros) na folha. Além dessas lesões interferirem no processo de fotossíntese, o desenvolvimento da doença provoca amarelecimento precoce das folhas e sua queda prematura. A desfolha, por sua vez, interfere no enchimento do grão, trazendo prejuízos à produção.
O produtor Mário Sossela Filho, de Céu Azul (51 km a oeste de Cascavel), já identificou o aparecimento de ferrugem na área do condomínio onde participa. Apesar da ocorrência de poucas manchas, ele já começou a passar fungicida para controlar o problema. ''Está difícil aplicar por causa da chuva'', disse.
Os 968 hectares (ha) de lavouras do condomínio estão em fase de formação de grão. A expectativa do grupo é colher 65 sacas por ha, o que totalizaria 60 mil sacas. A colheita começa em meados de março. ''Se o clima continuar ajudando, vamos confirmar a expectativa'', adiantou.


