Ambiente é 'morno' para o crédito, diz Serasa
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sexta-feira, 10 de outubro de 2003
Rodney Vergili<br> Agência Estado 
São Paulo O presidente da Serasa, Élcio Anibal de Lucca, disse na quinta-feira, no 2º Seminário Serasa de Gestão de Crédito nas Empresas, que apesar de notícias positivas em relação à avaliação de investidores internacionais sobre o Brasil, ''o ambiente macroeconômico doméstico continua morno para o crédito''.
Ele afirmou que a expectativa de empresários do comércio com quem tem conversado é de que o final do ano não será dos melhores. ''Não será nada forte'', declarou. Ele afirmou que os juros precisam cair mais para produzir efeitos na atividade econômica. A população está sem emprego e renda, o que limita a capacidade de compras. Ele afirmou que a inadimplência (atraso de pagamentos) ainda continua alta.
O seminário teve o objetivo de apresentar ferramentas tecnológicas de gestão de crédito para possibilitar um aumento no volume de empréstimos e com controle na inadimplência. Ele afirmou também que algumas empresas vão demonstrar os resultados da utilização dessa tecnologia de gestão de crédito e ''seus efeitos positivos'', em termos de aumento de vendas.
O diretor de Produtos Pessoa Jurídica da Serasa, Laercio de Oliveira Pinto, disse que a expansão do crédito na economia brasileira e a redução dos ''spreads'' (diferença entre a taxa de captação e empréstimo) dependem de reformas estruturais como uma legislação que facilite a troca de informações entre instituições financeiras.
Ele disse que o grande beneficiário dessa troca de informações é ''o bom pagador''. Ele lembra que nos Estados Unidos as pessoas fazem questão de disponibilizar o seu cadastro para as inscrições financeiras como forma de obtenção de crédito. ''Esse princípio ainda não é muito entendido pela sociedade e pelo Judiciário no Brasil''.
''O não-compartilhamento das informações cria uma proteção para o mau pagador, o que acaba fazendo com que os bancos tenham de ser mais cautelosos na concessão de crédito e cobrem taxas maiores de juros para cobrir essas incertezas de recuperação de crédito. Ele disse também que, apesar do esforço da redução dos juros básicos (Selic), há inibidores de expansão do crédito como a tributação (cunha fiscal) ou o elevado compulsório sobre depósitos dos bancos, a queda na renda e no emprego.
O diretor previu que a rapidez nos processos de recuperação de garantias no Judiciário proporcionaria também uma redução na taxa de juros nos empréstimos. Ele lembrou que nos Estados Unidos o mercado de hipoteca é gigantesco por causa da facilidade com que os bancos conseguem retomar os imóveis quando há paralisação no pagamento dos empréstimos.


