AmBev se une e vira maior cervejaria do mundo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de março de 2004
Carlos Franco<br> Agência Estado 
São Paulo - A brasileira AmBev anunciou ontem acordo de fusão com a belga Interbrew, pelo qual a estrangeira passa a deter 57% do negócio que cria a maior cervejaria do mundo em volume 15% da produção global e a segunda em rentabilidade, atrás apenas da americana Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser.
Um acordo de acionistas, com validade de 20 anos (renováveis) prevê, porém, que a administração do negócio será compartilhada e exercida em partes iguais entre a AmBev e a Interbrew. Não há dinheiro envolvido na transação, apenas a troca de ativos e ações, segundo assegurou o co-presidente do Conselho de Administração da AmBev, Victorio de Marchi.
O acordo prevê que, operacionalmente, a AmBev passará a responder pelas operações na América do Sul, América Central e América do Norte, por meio da incorporação da Labatt, da Interbrew, com atuação no México, Estados Unidos e Canadá. A Interbrew, por sua vez, mantém em seu poder as operações na Europa e Ásia.
A economia na sinergia das duas empresas está estimada em US$ 350 milhões anuais, por causa da unificação de processos. A sede da AmBev, que passa a responder pelos negócios nas Américas, ficará em São Paulo, assim como suas ações continuarão listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e em Nova York (ADRs). Os resultados da Labatt no México, Estados Unidos e Canadá também passam a figurar nos balanços da AmBev.
Da mesma forma, a Interbrew permanece com suas ações listadas em Bruxelas. Em comum, as duas empresas devem fazer oferta pública pelas ações ordinárias, destinando para esse fim 80% da transação, que a Interbrew estima em US$ 9,2 bilhões, gasto que inclui também a troca de ativos, como a passagem dos negócios da Labatt, inclusive 30% da mexicana Femsa, para a AmBev. As negociações entre as duas companhias começaram em outubro e foram concluídas na madrugada de domingo, segundo De Marchi.
Feito o anúncio, tanto em Bruxelas como em São Paulo, as ações das duas empresas caíram. Os investidores europeus consideraram que a Interbrew deu muito para a AmBev para ter acesso ao mercado sul-americano, enquanto os investidores que não têm ações ordinárias (alvo da oferta pública) temem perder liquidez, ficando com suas preferenciais, com remuneração 10% superior às ordinárias, mas de fora desse negócio.
No anúncio, De Marchi, chegou a afirmar que ''o que é bom para a AmBev é bom para o Brasil''. Ele teve a preocupação, reiteradas vezes, de enfatizar que na economia globalizada a participação patrimonial num negócio é menos importante que a gestão desse negócio. Também ressaltou que esta é a oportunidade de o Brasil levar para o exterior as suas marcas, no caso a Brahma.
Em Bruxelas, o presidente da Interbrew, John Brock, foi bem menos cerimonioso e disse à agência internacional de notícias Reuters que assumiu o controle da AmBev por meio dessa troca de ações. Segundo o presidente e principal executivo (CEO) da AmBev, Carlos Brito, os controladores da AmBev se dividiram em dois grupos no fechamento do negócio.
A Fundação Antônio Helena Zeheimer (que representa os interesses da antiga Antarctica), segundo ele, optou por ficar apenas na AmBev brasileira, e com isso passa a ter em seu poder 50% do comando da AmBev, com ações na Bovespa. Os outros 50% desse comando ficam em poder da Interbrew-AmBev.
Por sua vez, a Braco, que reúne os investidores do Garantia (Jorge Paulo Lehman, Marcelo Sucupira e Marcel Telles) e dividia com esta fundação o controle e a gestão da AmBev, passa a ter 50% do controle operacional da Interbrew-AmBev, que detém os outros 50% do comando da AmBev e os 50% dessa megacervejaria.


