AmBev desperta onda de fusões
Deve ser verde-e-amarela a nova onda de fusões de empresas. Depois que Antarctica e Brahma, concorrentes há mais de um século, anunciaram sua associação, no início este mês, aumentou o interesse de empresários brasileiros em estudar a fusão com outras companhias nacionais.
‘‘O setor de fusões e incorporações está vivendo uma época de intensa atividades. Depois da criação da AmBev, muitos empresários brasileiros, preocupados em descobrir como sobreviver com o aumento da concorrência, estão pensando em procurar seus concorrentes diretos para uma associação , diz José Olympio da Veiga Pereira, diretor do banco de investimentos Donaldson Lufkin & Jenrette.
Dois grandes escritórios de advocacia de São Paulo confirmam que receberam, nas últimas semanas, mais consultas de empresas brasileiras sobre a possibilidade de fusão com companhias do mesmo segmento econômico. ‘‘Fusão com outra companhia brasileira pode interessar às maiores empresas nacionais, que batem de frente com os grandes grupos internacionais’’, diz José Luiz Saicali, da consultoria KPMG. Em alguns setores, a associação entre duas ou mais empresas brasileiras seria a única alternativa para enfrentar a concorrência das companhias estrangeiras, seja em termos de redução de custos com o ganho de escala, seja com a maior facilidade de obtenção de financiamentos. As estatísticas sobre fusões ainda não mostram uma tendência de aumento de negócios entre empresas nacionais. Ao contrário, dados da KPMG mostram que no primeiro semestre deste ano foram fechadas 41 negociações entre companhias domésticas; em 1998, foram 62.
Mas esse número tenderia a aumentar muito nos próximos dois anos, diz Pereira, especialmente se a AmBev receber o sinal verde do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

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