Agência Folha
De São Paulo
As empresas Brahma e Antarctica não aceitam abrir mão de uma das marcas das companhias para que a fusão que originou a AmBev (Companhia de Bebidas das Américas) ocorra de fato. Parecer da SDE (Secretaria de Direito Econômico), divulgado segunda-feira, condicionou a aprovação da fusão à venda de uma das três principais marcas da união (Skol, além de Brahma e Antarctica). Essas marcas têm, respectivamente, 26%, 22% e 21% do mercado de cerveja.
A palavra definitiva sobre a fusão sairá do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que tem 60 dias para se pronunciar. As duas empresas apostam as fichas na decisão do Cade para ver concretizada no Brasil a quinta maior companhia de bebidas do mundo. Em comunicado divulgado ontem, a AmBev disse acreditar que o Cade irá rever a sugestão das duas secretarias. As empresas argumentam que a AmBev ficaria menor do que a Brahma antes da fusão, caso venda uma das marcas.
As cervejarias consideram a sugestão da SDE desnecessária, sem sustentação técnica para a livre concorrência e prejudicial aos objetivos que levaram à fusão. ‘‘A retirada de uma das três marcas de cerveja da AmBev impede a empresa de conquistar os ganhos de sinergia que permitiriam reduzir preços e competir no mercado externo em posição de igualdade’’, diz a nota. Para as cervejarias, a venda estimularia a entrada de um grupo estrangeiro no mercado brasileiro. O argumento é que um grupo nacional não teria recursos para comprar. A Kaiser, já anunciou interesse em comprar.
A AmBev contesta também o argumento da SDE de que a fusão vai gerar concentração de mercado. Desde o anúncio da fusão, as empresas insistem que haverá redução dos preços.
O comunicado cita pesquisa da Nielsen, indicando que são os preços, e não as marcas, que definem a compra. Esse dado é utilizado pelo grupo como indicador de que os preços não serão alterados.

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