Amazônia produz 10 milhões de metros cúbicos de gás
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de abril de 2006
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Quase 10 milhões de metros cúbicos de gás natural (GN) são produzidos, por dia, na Província Petrolífera de Urucu Unidade de Negócios Bacia do Solimões (UN-BSOL) da Petrobrás, no coração da Amazônia. Esse volume é suficiente para abastecer a região Norte como fonte principal de energia elétrica, substituindo o óleo combustível, que é mais caro e poluente. Mas por falta de um gasoduto, esse gás não chega até o consumidor e os cofres públicos deixam de economizar, por ano, R$ 1 bilhão, segundo estimativas da Eletrobrás.
Até entrar em operação o Gasoduto Coari-Manaus, esse GN está sendo reinjetado nos poços de exploração. O novo gasoduto vai fazer o escoamento seguro do combustível do Terminal de Solimões, da Petrobrás Transporte (Transpetro), no município de Coari, até a Refinaria Isaac Sabá, na capital do Amazonas. Para a instalação de 370 quilômetros de dutos, a Petrobrás vai investir cerca de R$ 1 bilhão. Hoje, são gastos cerca de 1,6 bilhão para a geração de energia do Sistema Manaus, feita à base de queima de óleo combustível nas termoelétricas. Com a substituição por GN, esse valor cai para R$ 580 milhões aproximadamente.
Estudos técnicos de moldagens de transporte foram feitos na região, ainda em 2002, para verificar qual seria a forma mais adequada e segura para o meio ambiente até chegar a escolha do gasoduto. Ele terá a cada 30 km, válvulas de segurança que podem ser acionadas manualmente e de forma automática, por satélite ou cabos de fibra óptica controlados pela Central Regional de Operações e supervisionados do Rio de Janeiro. De acordo com a Petrobrás, serão aplicados rigorosamente as diretrizes corporativas de segurança, meio ambiente e saúde, com foco na responsabilidade social.
As tubulações, que são de aço-carbono e revestidas com anticorrosivos e proteção catódica, serão soldadas com mantas termocontráteis e colocadas em valas com profundidade mínima de 1,5 metro. No rio Solimões, o gasoduto terá espessura maior e estará submerso em 1,6 km. Já no rio Negro, a Balsa-Guindaste de Lançamento 1 (BGL-1) fará o assentamento do gasoduto.
Sítios - Antes de trabalhar na faixa de abrangência do gasoduto, a Petrobrás convidou técnicos e arqueólogos das universidades de São Paulo (USP) e federal do Amazonas para pesquisar cerca de 18 sítios históricos descobertos. Os locais são caracterizados pela terra preta de índio, repleta de fragmentos de utensílios de barro, como as cerâmicas Manacapuru e Guarita, de origem de mais de mil anos, das civilizações pré-colombianas. Para preservar os sítios, a Petrobrás decidiu transferir o local de depósito do material das obras.


