O ministro do Trabalho, Edward Amadeo, prevê que em dois meses os efeitos da redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) terão reflexo positivo no mercado de trabalho, com a criação de novos empregos. ‘‘O mercado tende a responder com atraso de um ou dois meses a aumento no consumo, porque isso bate primeiro no setor comercial, depois na indústria, que produz os bens, para só então repercutir no mercado de trabalho’’, explicou.
Durante visita ao Rio, para conferir o andamento dos programas do governo estadual de aumento da oferta de emprego, Amadeo reafirmou a projeção de queda entre um e dois pontos porcentuais da taxa de desemprego este ano. Em 1997, o índice médio foi de 6,1%. Em maio deste ano foi registrada taxa recorde de 8,18%, o que motivou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a enviar ao Ministério da Fazenda um pedido de redução das taxas de juros para impedir nova onda de demissões.
‘‘A queda na taxa de juros e a redução do IOF vão contribuir para que o emprego continue crescendo’’, diz Amadeo, insistindo em afirmar que ‘‘desde março já há indícios muito concretos de aumento do emprego no Brasil.’’ Segundo o ministro, o reflexo mais imediato na demanda de empregos com o aquecimento do consumo será registrado em todos os ramos ligados ao setor de bens duráveis.
Os setores de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e o automotivo serão os principais termômetros para medir a reversão ou não no aumento do desemprego. ‘‘Desde março a principal pesquisa de emprego do Brasil, que é a do IBGE (Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística), registrou aumento de 407 mil postos de trabalho’’, comenta Amadeo. ‘‘A tendência de recuperação deve ser reforçada com essa medida para a ampliação na demanda das vendas.’’
Depois de uma reunião com o governador Marcello Alencar (PSDB), o ministro visitou uma agência de promoção de empregos aberta com recursos federais e administrada pelo governo do estado. ‘‘Pedi para o ministro um emprego para mim, mas não sei se vai dar’’, disse o almoxarife Roberto de Oliveira, de 44 anos. Desempregado há seis meses, Oliveira ocupava um dos primeiros lugares na fila da agência e teve uma breve conversa com Amadeo. ‘‘Eu nem sabia que ele era ministro, mas, se não me arruma emprego, não adianta.’’

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