Agência Estado
De Brasília
O efeito inflacionário causado pelos reajustes dos chamados preços administrados pelo governo (tarifas públicas) será menor no próximo ano do que o registrado em 1999. A previsão é do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. ‘‘O efeito de realimentação das tarifas na inflação tende a ser menor do que o registrado em 1999’’, afirmou o secretário.
Segundo Amadeo, a desvalorização cambial do início deste ano se refletiu nos reajustes das tarifas, o que por sua vez funcionou como um mecanismo de ‘‘pressão’’ sobre os índices inflacionários (IPCA’s) calculados pelas fundações e institutos de pesquisa.
Para o secretário, o início do próximo ano tende, ‘‘naturalmente’’, a não registrar de novo esta pressão. De acordo com a análise de Amadeo, o governo conseguiu manter uma pequena ‘‘taxa de transmissão’’ do efeito cambial para os IPC’s – cerca de 12% contra uma desvalorização nominal de 60% – o que não foi alcançado nos IPCA’s.
Como os índices gerais de preço (IGP’s) levam em consideração estes dois componentes, a variação registrada no início do ano acabou sendo alta. ‘‘A tendência natural agora é de que os IGP’s converjam para os níveis dos IPC’s, em consequência da redução da variação dos IPCA’s, diminuindo assim a realimentação registrada em 1999’’, disse.
Apesar desta análise, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda admitiu que o reajuste das tarifas públicas ainda é considerado como um ‘‘problema’’ a ser administrado pelo governo. ‘‘A nossa postura tem sido cada vez mais de dar reajustes menores possíveis, sempre respeitando os contratos’’, disse.
Para Amadeo, o trabalho das agências reguladoras deve ser feito levando-se em consideração três aspectos: o respeito aos contratos firmados, à saúde financeira das empresas e ao consumidor. ‘‘O reajuste dos preços administrados é um problema que precisamos administrar com base nestes três princípios’’, afirmou.
Na avaliação do secretário, as últimas altas registradas nos índices de inflação foram influenciadas por efeitos ‘‘sazonais’’, principalmente pelo aumento dos preços de produtos agrícolas, fruto de uma maior escassez de chuvas este ano nas áreas produtoras.
Para Amadeo, a partir da segunda quinzena de dezembro, os preços destes produtos devem entrar numa trajetória de deflação. Apesar de considerar ‘‘difícil’’ se calcular em quanto os preços destes produtos poderão recuar, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda acredita que eles poderão até ficar próximos ao que era registrado antes das últimas altas.
Edward Amadeo considera positivo o debate que tem sido feito no País em torno dos últimos índices inflacionários registrados. ‘‘A preocupação com a inflação é legítima num país com a história inflacionária do Brasil; essa preocupação faz bem ao debate’’, avaliou.

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