Dida Sampaio/Agência Estado
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CerimôniaEdward Amadeo discursa na posse ao lado do seu antecessor, o ministro do Planejamento Paulo PaivaO novo ministro do Trabalho, Edward Amadeo, assumiu ontem o cargo afirmando que ‘‘não há crise de emprego’’ no País. ‘‘Há tendências preocupantes com as quais temos que lidar rapidamente’’, disse ele, numa cerimônia que contou com a presença do ministro da Fazenda, Pedro Malan, seu ex-professor, e o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, ex-colega de faculdade, ambos na PUC do Rio.
No discurso de posse, Amadeo observou que a taxa média de crescimento da economia durante o governo do presidente Fernando Henrique foi de 3,8% ao ano, mais alta do que a registrada nos anos 80 e início dos anos 90. ‘‘O emprego cresceu, a renda e o poder de compra dos rendimentos do trabalho cresceram muito’’, disse. As ‘‘tendências preocupantes’’ citadas pelo novo ministro têm sido provocadas, segundo ele, pelo processo de reestruturação da economia e, principalmente, pela disseminação das novas tecnologias, que permitem às empresas produzir mais com menos mão-de-obra.
‘‘Os avanços na tecnologia da informação fazem parte de uma onda inovadora sem precedentes na história’’, disse Amadeo. Ele observou que o impacto da modernização econômica está chegando rapidamente à area de serviços, setor que emprega 45% da força de trabalho no Brasil e que, nos últimos anos, absorveu grande parte dos trabalhadores demitidos pela indústria. ‘‘A reestruturação do setor terciário, e suas consequências para o mercado de trabalho, é o grande desafio que temos pela frente’’, afirmou.
O ministro observou que o novo padrão tecnológico afeta o ritmo de crescimento e a composição do emprego mais do que a abertura da economia ao mercado internacional que, segundo ele, teve pequeno impacto sobre a oferta de trabalho no País. O efeito das novas tecnologias é maior em países em que, como no Brasil, a massa trabalhadora tem poucos anos de escolaridade. Além disso, o impacto será duradouro. ‘‘Um choque com repercussões pelos próximos dez a 20 anos’’, declarou.
Depois de traçar esse cenário, Edward Amadeo reiterou que assumirá duas tarefas principais à frente do Ministério do Trabalho: avançar na reforma da legislação trabalhista e aumentar a ‘‘empregabilidade’’ do trabalhador brasileiro, mediante programas de formação e reciclagem profissional. Ele deixou claro que, apesar de dispor dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para essa finalidade, espera contar também com a colaboração das entidades empresariais, como o Senai, o Sesi e o Senac.
‘‘São instituições com responsabilidade social porque se financiam com recursos parafiscais’’, afirmou, num recado aos sindicatos patronais, gestores do chamado ‘‘Sistema S’’, que sempre rejeitaram e temeram a interferência do governo nesses organismos. No que se refere à reforma das leis trabalhistas, os próximos passos, segundo Amadeo, devem ser a extinção do imposto sindical e o fim da unicidade sindical obrigatória, permitindo-se a existência de mais de um sindicato por categoria profissional, mesmo dentro de uma mesma base territorial. Amadeo considerou necessário também rever o poder da Justiça do Trabalho de interferir em temas econômicos.

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