Amadeo alerta para ‘o risco maior’
Agência Estado

Arquivo Folha
Edward Amadeo: ‘‘Vários fatores conspiraram contra o emprego’’O desemprego estrutural no Brasil pode se tornar tão grave quanto o dos países europeus, se não forem feitos a tempo os investimentos necessários para a qualificação do trabalhador e as mudanças na legislação trabalhista. O alerta feito ontem na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados pelo ministro do Trabalho, Edward Amadeo. Ele explicou aos parlamentares que jamais quis demonstrar despreocupação com a questão do desemprego no curto prazo. ‘‘Não quero minimizar o curto prazo, mas alertar para o risco maior e mais abrangente no futuro’’, disse.
Amadeo destacou as causas para o aumento da taxa de desemprego, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesse início do ano. Segundo ele, quatro fatores - sazonalidade, aumento do número de trabalhadores procurando emprego, elevação das taxas de juros e desemprego estrutural - estavam presentes ‘‘conspirando’’ contra o emprego. Para o segundo semestre, entretanto, Amadeo se arriscou a prever uma queda de dois pontos porcentuais na taxa, que deverá voltar a ficar próxima da média do ano passado.
Com dados retirados de pesquisas do IBGE, o ministro provou aos parlamentares que o volume de empregos para os trabalhadores com até quatro anos de estudos caiu de 37% do total em 1994 para 29% do total esse ano. Enquanto isso, os trabalhadores que têm entre nove e 11 anos de estudo aumentaram a sua participação no mercado de trabalho, passando de 22,2% do total de empregos existentes no final de 94 para 26,9% em 98.
No depoimento de mais de três horas na Câmara dos Deputados, Amadeo procurou demonstrar que o desemprego não pode ser visto como o resultado do pouco dinamismo da economia brasileira. A economia cresceu a taxas muito baixas no período de 1987 a 1992, tendo dobrado a taxa de crescimento no período seguinte, de 1993 a 1997.
Os partidos de oposição foram os grandes ausentes do primeiro depoimento do ministro. ‘‘Cadê a oposição?’’, perguntou o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA). O único representante do PT foi o senador Eduardo Suplicy (SP), que cobrou empenho do governo federal para a implantação do projeto de garantia de renda mínima.

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