Alvo de preocupação do governo, dólar fraco ajudou a segurar inflação
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Redação FolhaWeb com BBC-Brasil 
Diversos produtos passaram a chegar ao Brasil com preços mais em conta, não apenas em função do dólar fraco, mas também porque esses artigos estão mais baratos em seus próprios mercados.
Segundo o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, a depreciação da moeda americana torna os produtos importados mais baratos, causando um efeito positivo no índice de preços. Dessa forma, o consumidor pode substituir itens que ficaram mais caros por produtos adquiridos no exterior.
"A influência do câmbio valorizado na inflação é indiscutível. E para completar, alguns produtos europeus, por exemplo, já estão saindo das fábricas com preço em conta, já que lá o consumo está em baixa", diz o economista.
Importações
No ano passado, as importações brasileiras cresceram 41%, segundo dados preliminares do Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria.
Dentre os bens duráveis mais adquiridos no exterior no ano passado estão os automóveis de passageiros, cuja importação, em dólares, cresceu 59% no período.
No ano passado, a inflação oficial no Brasil (IPCA) ficou em 5,91%, o maior resultado dos últimos seis anos.
A alta dos alimentos foi o principal vilão do índice, com alta de 10,3%, mas diversos outros itens também subiram de preço, como o de serviços.
Segundo o economista Bernardo Wjuniski, da consultoria Tendências, o resultado poderia ter sido ainda pior não fosse a "contribuição positiva" da desvalorização do dólar. Em 2010, a moeda americana acumulou uma queda de 25% em relação ao real.
"Trata-se de uma contribuição significativa. Claro que o peso dos alimentos no IPCA é muito grande, mas o papel do câmbio, com a desvalorização do dólar, ajudou a minimizar a alta geral dos preços", diz.
Ao denunciar a possibilidade de uma "guerra cambial" entre os países, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, colocou o Brasil na posição de "porta-voz" das críticas sobre a desvalorização do dólar.
"No entanto, vemos também que, por outro lado, a economia brasileira se beneficia do dólar mais fraco. É uma situação delicada", diz Wjuniski.


