Aluga-se marido, uma descoberta da informalidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de agosto de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O serviço de ''aluguel'' de marido mostrado no quadro interpretado pela atriz Denise Fraga no programa Fantástico do dia 20 de julho já existe em Curitiba. A diferença é que, na televisão, Denise mostrou o caso de um casal no qual o marido perdeu o emprego. Com 40 anos e dificuldades para conseguir outra colocação no mercado, no início ele passou a ser ''emprestado'' pela mulher para fazer alguns trabalhos nas casas de vizinhas. Como o marido era muito solicitado, a mulher teve a idéia de ''alugar'' seus serviços. O negócio deu certo e é assim que ele ganha a vida até hoje.
A história de Cleberson de Souza, de 24 anos, morador do Bairro Pinheirinho em Curitiba, é um pouco diferente. Mas seu cartão de visitas chama atenção da mesma forma: ''ALUGUE UM MARIDO!!!'', diz em letras garrafais, seguido pelo texto: ''Serviços Ladiah Ltda. - Se o seu marido não tem paciência para fazer pequenas coisas domésticas que enchem o saco, então ALUGUE UM MARIDO''. Abaixo, deixa o recado: Orçamento sem compromisso e telefones de contato.
Cleberson nem casado é. ''Tive a idéia pela minha família, minha mãe, tia, a mulher do meu pai que sempre me chamavam para trocar um botijão de gás, instalar uma tomada, colocar um varal de roupa, consertar um azulejo quebrado, coisas que elas não sabiam fazer e o marido também não fazia'', conta. Levado pela lógica, ele concluiu que, ''se um marido pobre não fazia estes serviços, imagine um marido rico...''.
Foi assim que, há quatro meses, começou a distribuir os cartões em uma rua central de Curitiba. ''Escolhi um lugar onde só passa magnata. Eu entrego o cartão pessoalmente porque senão as pessoas vão pensar que é sacanagem, que é cartão de garoto de programa'', explica. Como no caso apresentado pelo Fantástico, a entrega pessoal não o livrou das cantadas. ''Já aconteceu de mulher ligar querendo programa. É mulher que liga quando o marido viaja ou que vive sozinha. Mas daí é só dar um nó e escapar'', simplifica.
Para não ter problemas com o sexo masculino, ele decidiu fazer um segundo modelo de cartão: ''Se você não aguenta mais consertar pequenas coisas em casa, então ligue'', cita. Ao contrário do que se esperava, o primeiro cliente de Cleberson não foi uma mulher casada com um marido inapto para os serviços domésticos. Seu primeiro cliente foi um homem, gerente de loja, que o chamou para trocar um piso de banheiro. ''Ele gostou do serviço, me chamou de novo para colocar o rodapé do quarto e agora vou pegar uma pintura de um sobrado dele'', conta.
Como no caso apresentado pelo Fantástico, Cleberson conta que não consegue escapar das brincadeiras dos amigos. ''Eles dão risada, mas eu não ligo. O que importa é minha fonte de renda'', diz. O resultado, segundo ele, tem sido bom. Muitas pessoas passaram a ligar e pedir por orçamentos. Além de Curitiba, ele também faz serviços na Região Metropolitana e Litoral.
Além de pequenos consertos, Cleberson faz serviços mais especializados, como textura de perede, por exemplo. ''Eu faço serviços em geral, elétrica, hidráulica, circuito interno de TV, pintura, ardósia, textura em parede''.
Quando o trabalho é muito grande, ele chama auxiliares. ''Mas eu gosto da coisa bem feita. A pessoa tem que fazer o serviço bem feito ou o cliente não me chama mais'', explica. Para garantir um trabalho de qualidade ele tem uma equipe fixa de sete pessoas, que são chamadas sempre que necessário.
Sobre o nome de sua empresa ''Ladiah'', ele explica que trata-de da junção dos nomes de seus três filhos, Larissa de nove anos, Diego de três, e Ana Helena de nove meses, cada um com uma mulher diferente e nenhum em casamento.
Mesmo assim ele garante que não está disponível para nenhuma aventura com mulheres à procura de programa. Por isso, Cleberson divulga seus telefones de contato (9622-7636 ou 9634-8956), mas faz questão de deixar bem claro que só atende chamados para executar serviços gerais.


