Brasília - O alto custo da energia elétrica, a invasão de produtos chineses e os incentivos tributários concedidos por outros países estão deixando o Brasil em segundo plano na rota de investimentos de empresas multinacionais. Levantamento feito pelo Grupo Estado junto a fontes do mercado mostra que fábricas de setores eletrointensivos – em que o custo da energia é um dos principais componentes de peso no preço final dos produtos, como alumínio, siderurgia, petroquímico e papel e celulose – estão fechando unidades no País ou rompendo fronteiras e migrando para outros locais por perda de competitividade no mercado brasileiro.
  Nesse contexto, enquadram-se pelo menos sete companhias. A mineradora Rio Tinto está em negociações ‘‘avançadas’’ para instalar a maior planta de alumínio do mundo no Paraguai, com investimentos entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4 bilhões para produzir 674 mil toneladas de alumínio por ano. A Braskem inaugurará uma unidade de produção de soda cáustica no México e está fazendo prospecção em outros países, como Peru e Estados Unidos. A Stora Enso, que abrirá em breve uma fábrica de celulose no Uruguai, admite que, apesar de a produtividade brasileira ser o dobro, essa vantagem é ‘‘desperdiçada’’ pela incidência de impostos. No caso da produção de papel, o preço do produto de fábrica do Paraná está mais caro que os similares produzidos no exterior.
  A usina siderúrgica Gerdau Usiba, na região metropolitana de Salvador, esteve paralisada em função do alto custo da energia. A Valesul Alumínio S.A. (Valesul), em Santa Cruz (RJ), também teria sido fechada pelo mesmo motivo. No setor de alumínio, a situação é a mais crítica. A Novelis fechou uma fábrica em Aratu (BA) e está migrando para o Paraguai. A concorrente Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim, está prestes a abrir uma unidade em Trinidad Tobago.
  Nesse segmento, a avalanche de produtos chineses é outra ameaça. A importação de alumínio chinês, que até 2009 ficou em um patamar de 17 mil toneladas, saltou para 77 mil toneladas em 2010, número que se repetiu no primeiro trimestre de 2011, segundo Eduardo Spalding, coordenador da Comissão de Energia da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Outra agravante, segundo ele, é que estão sendo importados produtos acabados, sem a possibilidade de agregar valor ao produto no mercado brasileiro.
  Spalding lembra que, apesar da geração abundante de energia, a carga tributária do setor, no País, ultrapassa 50%. Como consequência, o custo da energia no Brasil é o dobro da média mundial: cerca de US$ 60 o megawatt/hora (MWh), contra US$ 30, segundo a Commoditties Resarch Union (CRU), consultoria internacional que acompanha preços de matérias-primas para diversos setores, como mineração, siderurgia e energia elétrica. ‘‘Isso nos coloca em uma situação insustentável. ‘‘O custo da energia, descontada a inflação, dobrou em nove anos no Brasil’’, afirma.

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