Curitiba - Ter um plano de previdência privada é uma alternativa para que o trabalhador não dependa exclusivamente da previdência social ao se aposentar. No entanto, antes de escolher o plano, é preciso tomar cuidado para comprar um produto interessante, dentro do perfil do investidor, que não tenha taxas muito altas e que garanta boa rentabilidade.
Caso o plano tenha na sua composição aplicações financeiras muito agressivas e o poupador não possua este perfil, pode querer resgatar o valor no meio do caminho, o que não é aconselhável. ''A previdência privada é para longo prazo e não adianta querer resgatar daqui três anos'', adverte o consultor financeiro Raphael Cordeiro. O ideal é começar o plano o mais cedo possível, por volta dos 30 anos. ''Antes disso, as pessoas costumam gastar muito com educação e a compra do primeiro imóvel'', observa.
Conforme Cordeiro, o plano de previdência é uma espécie de ''poupança forçada'', mas que exige que o cliente tome alguns cuidados antes de adquirir o produto. Os planos cobram, por exemplo, taxa de carregamento sobre cada depósito que, segundo Cordeiro, não deve passar de 2%. Além disso, há taxa de administração anual que incide sobre o rendimento e deve ficar entre 1,5% e 2%.
Quando o investidor faz o resgate de algum valor da previdência também paga Imposto de Renda. Há duas formas de cobrança. Pela tabela progressiva, o percentual de IR pode variar de zero a 27,5% dependendo do valor do resgate. A tabela regressiva tem IR de 35% que pode cair a 10%. A cada dois anos que o poupador deixa o dinheiro aplicado, o IR cai 5 pontos percentuais. O primeiro caso de tributação seria para quem tem uma renda menor, e o segundo para quem prevê que terá muita renda tributável no futuro.
Os dois modelos ainda permitem o sistema de Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) e de Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), que incide a cobrança do imposto sobre o rendimento ou sobre o resgate total, respectivamente. Para quem faz a declaração do IR pelo modelo completo, é mais interessante escolher o PGBL e, para quem usa o modelo simplificado, o sistema melhor é o VGBL. Ao final do plano, o cliente pode resgatar o dinheiro todo de uma única vez ou receber uma renda vitalícia mensal. Os planos permitem migrar para qualquer seguradora, mas isso pode ser feito só de VGBL para VGBL e de PGBL para PGBL.
Cordeiro disse que o plano de previdência não é apenas indicado para a aposentadoria, mas pode ser feito quando um filho nasce com o objetivo de pagar a faculdade. Caso não seja necessário usar o dinheiro, o recurso pode até ser guardado para a aposentadoria.
Outra alternativa dos planos é a contratação de renda. O cliente pode, por exemplo, aplicar R$ 200 mil na seguradora do plano de previdência e receber uma renda mensal. ''Desta forma, o poupador não corre o risco de o dinheiro acabar'', explicou.
''O plano de previdência pode ser o produto que ficará mais tempo na vida de uma pessoa e só concorre com o imóvel'', destacou. Por isso, ele alerta que este produto não pode ser comprado por impulso.

Imagem ilustrativa da imagem Alternativa da previdência privada exige cuidados