Agência Estado
De São Paulo
Apesar dos preços do álcool terem registrado um aumento de até 50% nos postos de combustíveis no último mês, os produtores não estão se beneficiando desta elevação de preços, segundo Luiz Carlos Corrêa Carvalho, superintendente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) e do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de São Paulo.
Segundo ele, os preços pagos ao produtor caíram de forma expressiva a partir do final do ano passado, atingindo seu menor nível em abril/maio de 1999, pressionado pelo aumento expressivo dos estoques do produto, que chegaram a 2,8 bilhões de litros no final da safra 1998/99. ‘‘Agora os preços pagos ao produtor estão se recompondo gradualmente, ficando no final de outubro a R$ 0,29594 por litro ante R$ 0,16532 no final de maio’’, disse.
A expectativa dos produtores é de que o preço pago ao produtor atinja o nível ideal de R$ 0,4134 por litro, que é um nível próximo ao registrado em maio de 1997, antes da desregulamentação do setor. ‘‘O litro a R$ 0,4134 possibilitaria ao produtor voltar a investir no setor e criar empregos’’, disse.
A forte queda nos preços do litro do álcool na ‘‘bomba’’ (nos postos de combustíveis) deveu-se à uma prática de dumping por parte dos distribuidores em uma tentativa de conquistar mercado após a desregulamentação do setor, segundo o superintendente da Unica. Segundo ele, muitas distribuidoras conseguiram cobrar menos porque deixavam de recolher impostos ou porque reduziram suas margens. ‘‘Agora, a partir de setembro, quando o governo mudou a forma de recolher o ICMS, a sonegação ficou mais difícil e os postos estão tendo que cobrar o preço real do álcool, que até o momento não estava sendo cobrado’’, disse.

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