Curitiba - A Granoceres Indústria e Comércio de Cereais atribuiu o pedido de concordata da empresa à dificuldade de repassar ao consumidor as altas do preço do trigo no ano passado. Grande parte do trigo consumido no Brasil é importado, e o preço é cotado em dólar. A Granoceres mudou a sede da empresa de Curitiba para Vitória, no Espírito Santo, e pediu concordata em 2 de abril.
De acordo com a empresa Franco Magrini, que está auxiliando no processo de concordata da Granoceres, a mudança de sede não é tentativa de fuga da quitação de dívidas, como alguns boatos do mercado indicavam. Um dos consultores, que preferiu não dar o nome, disse que a empresa quis constituir empresa em Vitória para usufruir do Fundo para o Desenvolvimento de Atividades Portuárias do Espírito Santo (Fundap). ‘‘Com isso vamos obter financiamento para importação e exportação de grãos, com o que trabalhamos também’’, afirmou.
A lei que criou o Fundap é de 1970. No dia 8 de março, a Granoceres fez a transferência da matriz para Vitória. O pedido de concordata chegou no Fórum Cível de Vitória em 2 de abril e ainda não foi deferido.
A Granoceres não confirmou o valor que deve aos fornecedores, nem o prejuízo que teve em 2001. De acordo com o consultor, a empresa tem recebido visitas de várias cooperativas para a manutenção de contratos. A Granoceres tem produção mensal de 5 mil toneladas por mês, mas deve reduzir em 20% esse volume para reduzir gastos.
Segundo informações de mercado, a Granoceres teria pedido falência porque não conseguiu capitalizar o Moinho Graciosa, de Curitiba, cuja massa falida foi arrendada pela empresa em outubro de 1999.

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