Da Redação
O produtor paranaense não está sendo beneficiado com a alta dos preços do milho. A maioria vendeu o produto por menos de R$ 8,00/saca, antes da escalada de aumentos. A informação é do presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, que também é presidente da Comissão Técnica de Grãos da Faep e representante do Paraná na Comissão de Grãos, fibras e oleaginosas junto a CNA.
Se o governo tivesse adotado a sugestão do Sindicato Rural de Londrina o abastecimento poderia ser melhor. Em março deste ano, Ponti apresentou estudo propondo que o governo lançasse contratos de opção de compra de milho da safra 1999/2000 para entrega em março e abril de 2000, em julho/99, na quantia de 10 milhões de toneladas, ao preço de R$ 10,00/saca. O produtor seria beneficiado com um bom preço àquela época e o governo teria estimulado o produtor a plantar milho neste ano e seria referencia de preço de mercado para a próxima safra evitando que chegasse aos níveis atuais de até R$ 15,00, sacrificando consumidores e beneficiando apenas o atravessador e às indústrias.
Além de apresentar os estudos, Ponti alertou os técnicos do governo para a explosão de preços que aconteceria na entressafra.E além do estudo, entregue no Minstério da Agricultura, que não foi levado em conta, o Sindicato Rural também alertou pessoalmente o presidente da Conab, Eugênio Stefanelo para que a Conab não vendesse o pouco milho estocado que tinha na época da safra, pois estava deprimindo o preço que já era abaixo de U$ 4,5, gastando estoque que precisaria para evitar as altas na entressafra.
O governo simplesmente deixou o tempo passar e o desabastecimento está instalado, agravado pelo atraso no plantio em face da seca. Os setores afetados, avicultura, suinocultura e produção de leite, são fortes na economia paranaense. Para solucioná-lo o Paraná, maior produtor de milho do País, tem que se esforçar para adquirir milho do Centro-Oeste, o que também não está fácil.
Importar milho significa pagar perto de R$ 16,00 por saco.
Ponti também discorda dos números sobre disponibilidade de milho. Ele acha que tanto no Estado como em termos nacionais os estoques estão comprometidos e parte do que é colocado como disponível, na verdade existe apenas no papel.
Lei Kandir A agricultura vai perder R$ 1,5 bilhão ano, em cada safra de soja, se o governo decidir pelo fim da isenção do ICMS prevista na lei Kandir. É renda do interior - que movimenta o comércio de centenas de municípios - que acaba transferida para o setor exportador, grandes indústrias ou para o governo federal.
O alerta é do presidente do Sindicato Rural de Londrina, o engenheiro agrônomo Edison Mazei Ponti. Só na soja, a perda é de quase R$ 3,00 por saca de 60 quilos. A lei Kandir, para desonerar o custo da soja, retirou, desde 1977, a incidência de 12% do ICMS sobre a exportação agrícola. Embora nem toda soja ou milho sejam exportados, os preços de referência, principalmente da soja, ficam sendo aqueles indicados pelo mercado internacional. Para se ter a idéia da perda é só calcular os 12% do ICMS sobre o preço médio atual de do mercado de R$ 22,00/saca. O que é recolhido pelo produto exportado vai para o governo e o que não é exportado fica para o intermediário.
O Sindicato de Londrina vem articulando junto a entidades como Faep e CNA no sentido de adotar posição firme contra a intenção do governo federal - pressionado pelos governadores - de retirar a isenção do tributo.

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