Desde abril de 2013, quando foi elevada de 7,25% para 7,50%, a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) não parou de subir. Foram nove altas consecutivas até os 11% ao ano vigentes a partir de abril de 2014. Reunido desde ontem para avaliar a sequência desta política de juros, o Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), anuncia hoje a nova taxa, que pode subir ou ficar estabilizada – maior aposta do mercado -, mas dificilmente será reduzida.
A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgou estudo em que mostra o impacto da elevação da Selic de quase quatro pontos percentuais em um ano. Os juros do comércio, por exemplo, subiram de 60,47% ao ano (com a Selic a 7,5%) para 71,15% com a taxa básica a 11%; os juros sobre empréstimo pessoal passaram de 41,25% ao ano para 49,36%; e o que mais pesou no bolso foram os juros do cartão de crédito, que saltaram de já altos 192,94% para 232,12% ao ano, uma variação de 20,31%.
O diretor executivo de Estudos Econômicos da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, explica que a alta nos juros reflete imediatamente nas taxas praticadas pelo mercado, no entanto, a contenção da inflação demora alguns meses para ser alcançada. "O governo começa a subir (a Selic) com objetivo de reduzir a demanda, influenciando na decisão de compra do consumidor; agora, as pessoas estão mais temerosas em assumir novas dívidas e o objetivo é esse: segurar o preço e reduzir a inflação", detalha.
Segundo Oliveira, esses reflexos da alta da Selic ainda não foram totalmente sentidos pelo mercado, por isso, o Copom deve anunciar a manutenção da taxa em 11% hoje. "Deveria ter uma nova alta, porque a inflação continua pressionando e os preços administrados pelo governo começam a subir, mas diante das altas sucessivas, acho que vão manter estável", opina. Para Oliveira, a proximidade das eleições também deve influenciar na decisão do Copom.
"Não me surpreenderia mais algumas elevações depois das eleições, chegando a 12% até o final do ano, mas tudo vai depender da inflação", pondera. De acordo com Oliveira, uma nova elevação da Selic no momento não representaria grande impacto além dos já sentidos pelo consumidor. "Se subir 0,25%, para o consumidor representa subir os juros em 0,02% ponto percentual ao mês, o que é pouco diante do conjunto de elevações (que já aconteceram)", diz.

Tendência
O Copom deve encerrar hoje o ciclo de elevação da taxa básica de juros, na opinião dos economistas da Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O economista Fernando Honorato, vice-presidente do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da associação, pondera que a comunicação do BC tem sido compatível com o cenário atual, mas que uma boa parcela do comitê ainda vê a necessidade de aperto adicional de juros para o ano que vem. A mediana das previsões para 2015 subiu de 12% para 12,25% ao ano.
"Essa alta é explicada essencialmente por conta da inflação pressionada e que precisa da trajetória de juros para que ela possa ao longo do tempo convergir para o centro da meta", explica. Outra manifestação coincidente com a estabilidade nos juros foi do coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido. Segundo ele, a grande demanda por títulos públicos, tanto em leilões do Tesouro quanto no Tesouro Direto, se deve à expectativa de "boa parte dos analistas de mercado" quanto ao fim do ciclo de alta de juros.
O último Boletim Focus divulgado pelo BC, na segunda-feira, coincide com as expectativas do mercado e prevê uma Selic a 11,25% ao final deste ano, no entanto, sem alta na reunião de hoje. Para 2015, a projeção para a Selic passou de 12,25% para 12%. (com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Altas da Selic elevaram em até 20% juros ao consumidor
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