Alta temporária na taxa de juros afasta riscos, diz Gustavo Franco
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de outubro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
ResistênciaO presidente do BC, Gustavo Franco, enquanto se dirigia para o trabalho: Não seremos a bola da vezEntre Tailândia e Hong Kong o Brasil preferiu ficar com os chineses, afirmou ontem o presidente do Banco Central, Gustavo Franco. A Tailândia, lembra ele, sucumbiu ao ataque especulativo e desvalorizou a moeda, enquanto Hong Kong reagiu e defendeu a sua. O resultado das duas decisões é conhecido: na Tailândia o ataque e a desvalorização cambial acabaram contaminando o resto da economia e desencadearam quebradeiras, enquanto Hong Kong elevou sua taxa de juros a 100% ao ano, mas protegeu a moeda e isolou a especulação à bolsa.
O investidor estrangeiro absorve e respeita atitudes de resistência e vê fraqueza quando as instituições não reagem. Esse não é o nosso caso e nem seremos a bola da vez. A onda agora vai bater em outras praias. Não na nossa. - afirmou Gustavo Franco, convencido de que o aumento - temporário - dos juros é capaz de afastar a onda.
Gustavo Franco desconhece quanto tempo as taxas de juros permanecerão em patamares elevados. Esse prazo é qualitativo e depende da normalização da situação financeira no exterior. Ele não saberia estimar, neste momento, o custo financeiro de uma empresa brasileira que fosse tomar dinheiro no mercado internacional, porque os empréstimos para o Brasil estão paralisados. Mas um parâmetro para medir o risco Brasil, lembra é o mercado de bradies (títulos da dívida externa brasileira) e, neste momento, os preços estão desfavoráveis. Porém, a mensagem da reação, da resistência, e não desistência, é apreciada pelo mercado. E estamos dizendo: houve turbulência sim e a ela respondemos. Os mercados respeitam.
A dosagem aplicada nos juros, considerada exagerada por alguns analistas, foi a necessária. É claro que tivemos cuidado de impactar o menos possível o mundo real. O remédio é amargo, dolorido, difícil, mas a outra alternativa seria seguir o caminho da Tailândia, de crise generalizada, argumenta Franco. Ele não quis avaliar o impacto do aumento dos juros no crescimento da dívida pública, reconhece que existe e lamenta: infelizmente é o custo pago pela sociedade brasileira pela especulação que lhe é imposta. O mercado global nos dá amenidades, conforto, tecnologias modernas, mas também especulação. A aceleração na aprovação das reformas, diz, é agora o próximo passo para o Brasil derrotar de vez a crise.


