Agência Estado
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ResistênciaO presidente do BC, Gustavo Franco, enquanto se dirigia para o trabalho: ‘Não seremos a bola da vez’Entre Tailândia e Hong Kong o Brasil preferiu ficar com os chineses, afirmou ontem o presidente do Banco Central, Gustavo Franco. A Tailândia, lembra ele, sucumbiu ao ataque especulativo e desvalorizou a moeda, enquanto Hong Kong reagiu e defendeu a sua. O resultado das duas decisões é conhecido: na Tailândia o ataque e a desvalorização cambial acabaram contaminando o resto da economia e desencadearam quebradeiras, enquanto Hong Kong elevou sua taxa de juros a 100% ao ano, mas protegeu a moeda e isolou a especulação à bolsa.
‘‘O investidor estrangeiro absorve e respeita atitudes de resistência e vê fraqueza quando as instituições não reagem. Esse não é o nosso caso e nem seremos a bola da vez. A onda agora vai bater em outras praias. Não na nossa.’’ - afirmou Gustavo Franco, convencido de que o aumento - ‘‘temporário’’ - dos juros é capaz de afastar a onda.
Gustavo Franco desconhece quanto tempo as taxas de juros permanecerão em patamares elevados. ‘‘Esse prazo é qualitativo e depende da normalização da situação financeira no exterior’’. Ele não saberia estimar, neste momento, o custo financeiro de uma empresa brasileira que fosse tomar dinheiro no mercado internacional, porque os empréstimos para o Brasil estão paralisados. ‘‘Mas um parâmetro para medir o risco Brasil’’, lembra ‘‘é o mercado de bradies (títulos da dívida externa brasileira) e, neste momento, os preços estão desfavoráveis. Porém, a mensagem da reação, da resistência, e não desistência, é apreciada pelo mercado. E estamos dizendo: houve turbulência sim e a ela respondemos. Os mercados respeitam’’.
A dosagem aplicada nos juros, considerada exagerada por alguns analistas, foi a necessária. ‘‘É claro que tivemos cuidado de impactar o menos possível o mundo real. O remédio é amargo, dolorido, difícil, mas a outra alternativa seria seguir o caminho da Tailândia, de crise generalizada’’, argumenta Franco. Ele não quis avaliar o impacto do aumento dos juros no crescimento da dívida pública, reconhece que existe e lamenta: ‘‘infelizmente é o custo pago pela sociedade brasileira pela especulação que lhe é imposta. O mercado global nos dá amenidades, conforto, tecnologias modernas, mas também especulação’’. A aceleração na aprovação das reformas, diz, é agora o próximo passo para o Brasil derrotar de vez a crise.

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