São Paulo - A possibilidade do salário mínimo ter, em 2012, uma alta de 12,5%, passando de R$ 545 (em vigor a partir do próximo dia 1º de fevereiro) para R$ 613, deve gerar um impacto de R$ 19 bilhões nas contas da Previdência Social. Essa possibilidade leva economistas a defender que o governo federal adote um programa plurianual da gestão das contas públicas.
''Isto é essencial para viabilizar a queda da dívida pública líquida de 40% para 30% do Produto Interno Bruto em 2014, o que ajudaria a levar os juros reais para 2% naquele ano, como defendeu a presidente Dilma Rousseff em campanha'', disse o professor Márcio Garcia, da PUC-RJ. Para cumprir a meta de superávit primário de 3,1% do PIB neste ano, a administração precisará cortar perto de R$ 50 bi do Orçamento, segundo Felipe Salto, da Tendências Consultoria.
Pelo critério atual de reajuste do mínimo, que foi acertado entre governo e centrais sindicais e deve valer até 2015, o cálculo do reajuste embute a variação do IPCA do ano anterior, somado à alta do PIB registrada dois anos antes. Assim, a expectativa de um mínimo de R$ 613 está fundamentada nas estimativas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o Brasil terá crescimento de 7,5% em 2010 e inflação, de 5% em 2011. ''O mais adequado seria a reposição da inflação, como ocorre em outros países'', sugeriu Garcia.
De acordo com cálculos do governo, para cada R$ 1 de aumento dado ao mínimo, ocorre uma elevação de R$ 280 milhões nos gastos da Previdência. Assim, as despesas do Tesouro podem subir R$ 19 bilhões em 2012 em decorrência do mínimo.

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