Mark Rice-Oxley
France Presse
De Londres
A brusca alta nos últimos dias dos preços do ouro, depois de uma violenta queda desde maio passado, volta a levantar a questão do verdadeiro valor a longo prazo do metal amarelo, tradicionalmente considerado um valor de reserva. Os preços do ouro subiram 20% em apenas três dias, estimulados pelo compromisso ‘‘histórico’’ dos quinze bancos centrais europeus de limitar suas vendas de ouro no mercado.
Mas, uma vez passada a euforia, os analistas do mercado voltaram a se distanciar e levantaram a questão de fundo: o ouro continua tendo o mesmo valor? Os especialistas do mercado do ouro receberam com entusiasmo o anúncio, no domingo passado, de vários bancos centrais europeus de proceder a uma moratória em suas vendas de ouro durante cinco anos. Esta decisão supõe de fato um congelamento da venda de mais de 80% das reservas mundiais do metal.
A iniciativa representou um alívio para um mercado fortemente deprimido ante a perspectiva de uma onda de vendas de ouro pelos bancos centrais, tal como fizeram, nos últimos meses, a Grã-Bretanha e a Suiça. A decisão dos bancos centrais europeus ‘‘é mais importante para o ouro do que qualquer outro acontecimento nestes últimos 40 anos’’, resumiu Tim Green, autor de inúmeros livros sobre o tema.
‘‘Nos anos 90, viveu-se um período no qual o ouro passou para um segundo plano, mas, com esta decisão, a psicologia do mercado poderá mudar nos próximos cinco ou dez anos’’, considera Green.
No entanto, alguns analistas acham que o metal perde pouco a pouco sua função de quase-moeda e de valor de reserva, para ficar relegado à condição de uma simples matéria-prima. O poder do ouro como instrumento de compra, intacto durante séculos, se enfraqueceu nos últimos 15 anos: os preços do ouro não deixaram de cair, e hoje são inferiores em 65% aos máximos alcançados em 1980.

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